Com a chegada do período de estiagem na Amazônia, o desmatamento aumenta em toda a região, muito por conta das queimadas. A fumaça aliada às altas temperaturas trazem à vida do acreano um grande transtorno. Apesar disso, o tempo quente e seco não tem como causar apenas as queimadas.
Um fenômeno natural bem distante do estado deixa o tempo assim. A temperatura mais quente no Oceano Atlântico traz menos chuvas para o sudoeste da Amazônia, onde está o Acre. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) explica a seca e o calor intensos.
“O efeito do El Niño foi muito forte, então a quantidade de chuva foi muito menor do que o esperado. Com isso, a quantidade de água acumulada no lençol freático baixou muito. O período de chuva que começou em janeiro, nos três primeiros meses de 2024, foi menor do que o esperado também, ou seja, 10% menos que em 2023. Já foi seco em 2023, e em 2024 choveu menos no período chuvoso. Agora, nós estamos no período seco que a média histórica de chuva que tem caído aqui na região é muito mais abaixo do que se espera”, explica o professor do Inpa, Evandro Ferreira.
Quando todos os meses são verificados, em 2024 nota-se que houve uma redução das chuvas desde o início do ano em todas as regiões. Mas a regional que mais preocupa é a área onde fica Rio Branco e os municípios vizinhos.
Segundo professor, naturalmente essas são áreas onde ocorre menos chuvas com relação à região do Juruá. Quando se observa o mapa da chuva entre março e junho do ano passado e compara o mesmo período de 2024, é possível perceber que houve uma queda na quantidade de chuvas, principalmente nas regiões do alto e baixo Acre. Na capital, as chuvas caíram pela metade e afeta diretamente o rio Acre e o lençol freático.
Um mapeamento feito pelo Inpa mostra que, em março e junho de 2023, em Rio Branco, foram 500 milímetros de chuva. Em 2024, no mesmo período, 250 milímetros. Apenas na região do Juruá esses números se mantiveram.
Para o professor Evandro Ferreira, as previsões para os meses de julho, agosto e setembro não são otimistas. A população pode enfrentar um dos períodos mais secos e quentes da história. O rio Acre e outros rios menores podem chegar a níveis históricos de baixo volume, podendo apartar em determinados pontos, como aconteceu no ano passado em Assis Brasil.
“Vai ser um momento crítico, porque são quase quatro meses sob essa situação de que não vai chover e não vai ter água. O rio vai ficar muito seco, então vai ter alguns problemas”, afirma o professor.
Se nenhuma ação for feita para mudar os fenômenos, em 2050 a previsão é que em todo o mundo haverá um crescimento no aquecimento em 3%. Esse calor excessivo será capaz de matar até grandes árvores, o que colabora com a destruição da Amazônia.
Matéria produzida em vídeo pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta



