A escassez de chuvas no Acre tem impactado diretamente a vida de produtores rurais e moradores de comunidades do estado, que enfrentam dificuldades com a falta de água. A seca prolongada tem afetado o abastecimento de água e a produção agrícola, o que gera prejuízos e preocupações para a população local.
Na zona rural de Rio Branco, a família de Maria Tereza depende de um açude no quintal de casa como fonte de água, mas a baixa disponibilidade hídrica tem limitado o uso para apenas atividades domésticas básicas. A falta de chuvas significativas na capital acreana já dura 27 dias, o que afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores.
“A água não serve para o consumo, apenas para os serviços domésticos. A água do pipa é só para beber e fazer comida agora. E aqui nesse igarapé é para lavar roupa e tomar banho, regar as plantas, as coisas. Aí se secar esse igarapazinho aí é só o pipa. Seja o que Deus quiser”, explica a dona de casa,
Para amenizar a situação, caminhões-pipas distribuem água tratada para cerca de 19 mil moradores de comunidades rurais, em uma operação coordenada pela Defesa Civil. Ao todo, 29 comunidades serão atendidas, com a meta de distribuir aproximadamente 30 milhões de litros de água para suprir as necessidades locais.
O diretor de Administração de Desastres da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, destacou a antecipação da operação de distribuição de água devido à severidade da seca e à urgência em atender às demandas da população afetada. A falta de chuvas não só compromete o abastecimento de água tratada, mas também impacta a produção agrícola, com produtores rurais com perdas significativas em nas plantações.
“Nós fizemos a antecipação desta operação que fazemos todos os anos em um mês. Normalmente a gente começa no mês de julho e este ano, 2024, começamos já no mês de junho. Isso porque a seca que se apresenta agora, já no início dessa estiagem, é bastante severa e precisa a gente agir com mais rapidez e antecipado.”, diz o diretor.
Pedro Nascimento, produtor rural da região, relatou a perda total da plantação de milho devido à falta de chuva, que afeta também as culturas de mandioca e melancia. As condições climáticas adversas têm causado danos significativos à produção agrícola local, o que prejudica a subsistência de muitas famílias.
“A realidade era para ter colhido já, mas aí foi perda total, porque por falta da chuva o milho não formou, não cresceu, não virou nada, não virou”,fala o produtor,
O governo do estado decretou situação de emergência devido à falta de chuvas e ao baixo nível dos rios, com o Rio Acre com a menor marca para o mês de junho dos últimos 10 anos. Além da escassez de água, a Defesa Civil alerta para o risco de queimadas devido às altas temperaturas e à falta de chuvas, com destaque para a necessidade de medidas preventivas para evitar danos ambientais e à saúde da população.
“Juntamente com a questão da seca, falta de água, desabastecimento, nós temos uma outra situação que é o início de queimadas. Haja visto que nós não temos chuva, nós temos altas ondas de calor e esse momento fica propício para as queimadas, que é um outro plano de contingência que a Defesa Civil também faz para poder ter a prevenção, para isso não levar milhares de pessoas aos postos de saúde superlotando”, conclui o coronel.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Gabriel Rota para a TV Gazeta


