Ela diz acreditar só na “justiça divina”
O juízo da vara de Acidentes de Trânsito da Comarca de Rio Branco condenou o motorista Everson da Silva Filgueiras a dois anos e 11 meses de reclusão, em regime semiaberto, pelos crimes de homicídio culposo, onde não há intenção de matar e lesão corporal grave.
Ele conduzia o ônibus de transporte coletivo que atropelou e matou a adolescente Estefânia Guimarães Cabanelas, de 14 anos e que causou lesões graves à garota Vitória Lauane, 9.
O acidente aconteceu por volta das 7 da noite do dia 13 de janeiro. Estefânia fazia havia saído em direção a uma igreja do bairro. Na esquina de uma rua do bairro Tancredo Neves ela se encontrou com a amiga Vitória Lauane.
Nesse momento, o ônibus coletivo subia a rua. Ele iria fazer uma conversão à esquerda. Segundo o MP, o condutor entrou na contramão e atropelou as meninas. O laudo da perícia de trânsito também apontou que houve negligência, a manobra brusca, teria provocado o acidente.
Segundo testemunhas, o ônibus estava em alta velocidade e fora da rota. A adolescente teve a cabeça esmagada e a criança de 9 anos sofreu várias fraturas e ainda se recupera do acidente.
Para a família de Estefânia, a pena em regime semiaberto foi branda diante da comprovação de imprudência. Para a mãe, Raimunda Ferreira, não houve surpresa diante do que o judiciário vem decidindo em casos semelhantes.
“Eu recebo a notícia como se soubesse que isso ia acontecer. Por que não tem punição. Tem gente usando o meio de transporte como arma de matar, por que fica impune”, comenta.
No final do mês passado, quando o julgamento foi adiado, a família de Estefânia promoveu uma manifestação pedindo justiça. Na ocasião o pai da vítima disse que o motorista não deveria responder por crime de trânsito e sim por assassinato.
O motorista Everson Filgueiras teve a pena privativa de liberdade substituída por pena restritiva de direitos, ou seja, ele vai prestar serviços à comunidade, durante 6 horas semanais. O réu também teve a habilitação suspensa pelo período de sete meses e ainda pode recorrer da sentença.
Ainda sofrendo as consequências da perda da filha, dona Raimunda espera por outra justiça. “Cadeia é só pra quem morre. É simples, quem mata fica 10, 15 anos preso comendo e bebendo, depois é solto de novo. O que eu espero é a justiça divina, essa não falha”, completa.


