Momentos tensos expuseram falha na gestão pública
Após 28 horas, os agricultores dos assentamentos Porto Luiz e Campo Novo, na entrada do município de Acrelândia, resolveram liberar os bloqueios da BR-364 e da AC- 475, a Estrada do Agricultor.
Ainda na manhã desta terça-feira (13), por volta das 9h da manhã, os manifestantes fecharam a BR-364 que faz a interligação rodoviária do Acre ao restante do país.
Na manhã desta quarta, com a presença de homens da Polícia Rodoviária Federal, eles chegaram a liberar a estrada por cerca de uma hora, fechando logo em seguida.
O caminhoneiro Jimmy Laura, da Bolívia, passou a noite no meio da estrada e ainda estava lá quando a nossa equipe de reportagem chegou ao local. Segundo ele, a fila era tão longa que não deu tempo de passar no momento em que abriram o bloqueio.
“A gente está aqui não tem nada pra comer. Tá ruim! Queremos passar. Temos família nos esperando. Não sei o que vamos fazer”, afirmou Jimmy, que estava em viagem rumo a Guajará Mirim para pegar combustível.
Os agricultores reclamam da ineficiência do Incra para questões relacionadas à distribuição de terras e à resolução dos problemas relacionados ao passivo ambiental. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Acrelândia alega que o Incra concedeu 200 hectares a um só beneficiário. Parte dessa terra já está ocupada (e produtiva) por cerca de 150 famílias.
As famílias alegam que não vão sair das terras onde limparam e plantaram para que apenas uma pessoa seja beneficiada e transforme todo o esforço dos agricultores em pasto. “O Incra quer assentar um fazendeiro numa área que nós estamos há três anos trabalhando, produzindo e colhendo, pra assentar um cidadão que vai plantar capim numa área produtiva”, denunciou o agricultor Marcos dos Santos Poklin.
Outra reclamação dos manifestantes é a condição de trafegabilidade nos ramais para escoar a produção. Neste período de verão, muita poeira e no inverno lama. “Vamos continuar aqui até chegar uma resposta, estamos lá dentro há três anos, produzindo banana, apesar dos ramais que são muito ruins”, relatou a agricultora Maria Cícera.
Por volta das 13 horas de hoje, os manifestantes decidiram pelo desbloqueio da BR após. Eles receberem a informação de que um dos representantes do movimento havia sido detido pela PRF e que só seria liberado após o fim do protesto dos agricultores.
Mas, na verdade, foi uma estratégia da Polícia Rodoviária Federal para tentar o desbloqueio das estradas. Os representantes do movimento dos trabalhadores foram, inclusive, pressionar o parlamento estadual em busca de apoio político. Na tarde desta quarta-feira, os representantes dos trabalhadores rurais estão reunidos com deputados estaduais que integram a Comissão de Reforma Agrária da Aleac para encontrar uma solução.
Uma alternativa possível é entrar com uma ação na Justiça Federal para tentar reverter a decisão em primeira instância que deu ganho de causa ao posseiro que foi beneficiado com 200 hectares de terra.


