Dois eventos sobre o assunto marcaram a semana
Nesta semana, dois casos vieram a público, mostrando os transtornos causados às famílias beneficiadas pelo aluguel social. Resultado de despejo e ameaças de proprietários de imóveis são alguns problemas que o poder público vai continuar enfrentando, até regularizar os pagamentos.
Durante todo o dia, na última quinta-feira (18), Vanessa Pereira manteve os 6 filhos debaixo de uma tenda, na entrada do Bairro Defesa Civil, em Rio Branco. Foi a forma que ela encontrou para chamar a atenção do poder público a um problema decorrente. A família teria sido ameaçada mais uma vez de despejo, pelo dono do imóvel, que recebe do Estado, o aluguel social.
Vanessa não se enquadra em programa habitacional porque possui um pequeno terreno no bairro. Mesmo com a aparente condição favorável, ela não tem recursos para levantar uma casa.
A moradia antiga foi isolada pela Defesa Civil e pouco tempo depois desmoronou. De tão podres, as tábuas não resistiram.
Os assistentes sociais do estado estiveram no local e se esforçaram em convencer a mulher a procurar outro imóvel para alugar. Explicar que o poder público não pode construir no imóvel que Vanessa já possui, foi tarefa difícil.
“Por ela ter terreno não se enquadra no Programa Minha Casa Minha Vida para receber uma habitação. O que pedimos é que junto com ela procuremos um local para ela voltar ao aluguel social, até que a comunidade, nós servidores, como pessoas, possamos ajudá-la a construir”, disse o diretor de gestão interna da Secretaria de Desenvolvimento Social, Antônio Crispim.
Após longas conversas, Vanessa decidiu procurar um novo local para alugar. Ela também iniciou uma campanha para conseguir o material para construir uma nova casa. “O que puderem me ajudar é bem vindo. Preciso de madeira. Não tenho geladeira”, disse.
Esse não foi o primeiro conflito da semana, envolvendo o tema aluguel social. Na segunda-feira (15), antigos moradores do Conjunto Esperança bloquearam a Avenida Ceará. De um lado, manifestantes revoltados com o atraso de até cinco meses do aluguel social; de outro, motoristas furiosos em ter a passagem impedida. O protesto com duas horas de duração foi marcado por xingamentos e momentos de tensão.
Segundo o presidente da associação de moradores Arivaldo Mendes o protesto foi a última investida das famílias, cansadas de tantos constrangimentos. “Essas pessoas sofrem inúmeros transtornos além dos constrangimentos. Perdem os imóveis com tantas mudanças e despejos”, explica.
O aluguel social existe para abrigar famílias pobres ou em situação de miséria. Ele funciona como um importante auxílio para pessoas que vivem em áreas de risco ou que não possam pagar pelo aluguel. O benefício é pago pelas prefeituras e governo dos Estados, mas, em muitos casos, o Governo Federal é que cobre as despesas.
Com o país vivendo sua maior crise econômica e recentes cortes no orçamento, as perspectivas são preocupantes, para quem depende do auxílio. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, não há atrasos no aluguel das famílias abrigadas pelo município.
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Seds) admite o atraso nos repasses do aluguel social, contudo não informa o valor, nem mesmo quando será regularizado.


