Na Convenção Anual do setor, em Fortaleza, a ABAD divulga o desempenho no primeiro semestre de 2015, que apresentou queda de 9,58% em relação ao mesmo período do ano passado, e aposta na parceria com a indústria e com o varejo para retomar crescimento. Expectativa é encerrar 2015 com resultado estável na comparação com 2014.
Os números do Banco de Dados ABAD/FIA, índice mensal que faz a análise preliminar do desempenho do setor atacadista e distribuidor, continuam a retratar o duro cenário do consumo que hoje atinge praticamente todos os setores da economia, apontando retração real (deflacionada) de -1,4% em relação a maio de 2015 e queda acumulada de -9,58% entre janeiro e junho, na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Os números estão sendo divulgados na 35ª Convenção Anual do Setor Atacadista e Distribuidor – ABAD 2015 FORTALEZA, que acontece em Fortaleza, de 3 a 6 de agosto.
Apesar disso, segundo a pesquisa, houve melhora em relação a maio, já que no mês passado o resultado do acumulado do ano havia chegado a -10,41%. Também na comparação anualizada mês a mês, o índice apresentou recuperação, de -13,58% em maio para -5,03% em junho, também em números deflacionados.
Essa pequena recuperação está alinhada com as expectativas da ABAD, que prevê uma melhora paulatina durante o segundo semestre. A avaliação é que a base de comparação será mais fraca, já que a partir do segundo semestre do ano passado foram sentidos mais intensamente os efeitos da retração econômica que tem levado a classe C a reduzir as idas ao supermercado e a substituir alguns itens da cesta.
Além disso, no segundo semestre o comércio tradicionalmente apresenta melhor desempenho, especialmente no caso dos produtos mercearis, que correspondem às necessidades básicas das famílias.
Para a ABAD, o momento é de realinhar as estratégias e fazer ajustes, tanto para a indústria como para os agentes de distribuição e o varejo. “E ajuste não significa necessariamente ajuste de preços, embora o câmbio elevado e a subida dos juros esteja realmente pressionando os custos de toda a cadeia. Há adequações importantes que já estão sendo feitas pela indústria, como formatos reduzidos, novas alternativas em embalagens e oferta de determinados produtos em versões mais acessíveis”, diz o presidente da entidade, José do Egito Frota Lopes Filho.
Todo o empenho do setor está focado em recuperar as perdas dos últimos meses e chegar ao fim de 2015 nos mesmos patamares de 2014, buscando retomar a trajetória de crescimento real a partir do próximo ano.
No âmbito da Convenção Anual do setor, a proposta é justamente promover o alinhamento necessário para que todos os integrantes da cadeia de abastecimento se beneficiem mutuamente com iniciativas voltadas à capacitação, modernização e novos conceitos de gestão capazes de gerar ganhos de eficiência e produtividade.
“A melhor saída para tempos difíceis está dentro das empresas, onde é possível racionalizar custos e aperfeiçoar processos, e na relação entre elas e seus parceiros de negócios, com o aproveitamento de novas oportunidades de mercado, que sempre surgem, apesar do baixo desempenho econômico”, completa José do Egito.

