Barraco foi cedido por “lideranças” para trabalho voluntário
Em uma determinada região do bairro Caladinho, o poder público está excluído. Em todas as frentes de trabalho. A política educacional é a ausência mais sentida. De um grupo de 22 crianças, apenas quatro dominam rudemente a leitura.
Wellington de Souza Leite, 38, desenvolve um trabalho comunitário há três meses. Decidiu iniciar trabalho voluntário em uma visita que fez ao Pronto Socorro prestando auxílio espiritual.
“Vi a situação de um garoto de 9 anos que havia sido atropelado por um caminhão”, lembra. “Ele tem nove irmãos e a mãe estava desempregada. Fui levar um sacolão e depois organizei um cachorro-quente para a meninada. Foi a forma que encontrei de me aproximar”.
O voluntário Wellington Leite tem três focos de trabalho: alfabetização, higiene bucal e geração de trabalho para os pais. As crianças têm idade entre 4 e 13 anos. São completamente excluídas. Nesses três meses em que o trabalho voluntário está sendo feito, algumas tiveram que passar a ter medidas protetivas por causa dos pais, dependentes químicos.
“Eu só quero oferecer dignidade àquelas pessoas”, diz. “Vamos fazer uma horta comunitária plantando pimenta de cheiro, cebola de palha e macaxeira. As crianças não têm o que comer. Muitas têm feridas por todo o corpo e os dentes sem saúde adequada”.
Para entrar na comunidade, Wellington teve que “fazer parcerias” com as “lideranças locais”. Essas “lideranças”, diante do trabalho desenvolvido nos três meses, passaram a dar “proteção” ao trabalho voluntário feito na comunidade.


