Novas rebeliões podem ocorrer. E mais violentas
Agentes penitenciários que estavam no presídio durante a rebelião ocorrida nesta quinta-feira (20) pedem auxílio do poder público. A associação que representa a categoria denuncia que, se nada for feito, novas rebeliões podem voltar a acontecer e com proporções piores.
As marcas de agressão ficaram pelos corpos dos agentes penitenciários que estavam de plantão no momento em que os presos iniciaram a rebelião.
Um deles foi atingido por golpes de estoques, que são facas artesanais. O ferimento foi fechado com 8 pontos. Ele reagiu no momento em que teve uma arma apontada contra a cabeça e por isso não morreu. No pavilhão onde trabalhava estavam 346 presos e apenas 4 agentes faziam a segurança do local.
Outro agente que também pediu para não ser identificado ficou com vários ferimentos e hematomas no joelho. Ele foi arrastado entre os corredores. No rosto, marcas de socos e golpes de estoques.
Os servidores públicos não falam e não divulgam o rosto por que querem garantir a segurança deles e de suas famílias. Depois de muita insistência para gravarem entrevista, pediram para que apenas o presidente da associação falasse por eles.
José Janes denuncia há muito tempo as precárias condições do presídio e com pessoal. O que aconteceu na última quinta-feira respaldou as cobranças da associação.
“Tudo começou na hora do pagamento da comida, da janta, por volta das 18 horas. O preso saiu com uma pistola de dentro do pavilhão e colocou na cabeça do agente e mandou o resto ficar deitado. Saíram atirando lá de dentro, fizeram nosso agente de refém. Aí a gente vê como o nosso sistema penitenciário é falido e com agravante. Estamos numa área de fronteira onde entra tudo que quer”, explica.
A posse de armas pelos detentos, segundo os agentes, deve ser investigada, mas de acordo com Janes, a situação fugiu do controle e existem muitas brechas que o próprio sistema não consegue estancar.
“A gente tem que cortar na carne. De maneira alguma vamos compactuar com safadeza de agente. Mas eu garanto que 95% dos nossos agentes são honestos, tem formação.
Se for verdade, tem que ir pra cadeia, mas tem que ser apurado. Como é que vai dar uma arma pra preso sair atirando, se estão na guarnição. Pode entrar no presídio através de caminhão de lixo, por exemplo. Hoje só fica um PM na guarita do banho de sol. Lá no “chapão” os presos jogam armas, celular tudo pra dentro do Antônio Amaro Alves”, explica.
A rebelião deixou a categoria abalada e os servidores alegam que estão sem apoio psicológico e até para recuperação dos ferimentos sofridos. “Alguns deles foram machucados, um agente não consegue andar por que foi arrastado pelos pavilhões, outros furados por estoques e aí é muito preocupante. Não há psicólogo pra fazer atividade com eles. As agentes femininos não estão querendo trabalhar por que não tem condições”, afirma.
As denúncias e o fato em si, para a associação dos agentes penitenciários exigem que o Estado tome providências extremas e urgentes, ao contrário, novas rebeliões podem voltar a acontecer e com proporções piores. “É colocar bloqueador de celular e scanner corporal. Algumas medidas tem que ser tomadas como na hora da entrada do agente. É humanamente impossível as meninas revistarem mais de mil mulheres. O sistema está totalmente quebrado”, conclui.


