Amair Feijoli ficou conhecido mundialmente pela morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, assassinada em 2005
Por Adailson Oliveira para TV Gazeta
A defesa do fazendeiro Amair Feijoli informou a Justiça Federal que a fazenda Canaã foi desocupada. A terra fica na área de conservação da Floresta do Antimary e a desocupação havia sido determinada no ano passado. Amair Feijoli ficou conhecido mundialmente pela morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, assassinada em 2005 em um assentamento no sudoeste do Pará.
Em 2019, ele procurou o cartório de registro de imóveis de Boca do Acre no Amazonas para registrar a compra de uma área de terra na floresta do Antimary, chamada de Fazenda Canaã. Uma área de conservação que deveria estar sendo protegida, mas que vem a muitos anos sendo alvo de invasões e aproveitando da fragilidade da fiscalização, Amair e a filha Patrícia Coutinho da Cunha se tornam proprietários de 10% da floresta, quando registram de 5 mil e 6000 hectares em seus nomes.
Em 2021, as outras famílias que vivem no local procuram o Ministério Público do Acre (MPAC), para denunciar uma série de violência por parte de Amair e os filhos. Dessa forma, foram relatados casos onde armas de fogo, que foram apontadas para posseiros e casos onde as famílias, com medo, abandonaram a terra.
Amair começou a abrir ramais e derrubar a floresta para aumentar o pasto da Fazenda Canãa, o fato de ser o mandante da morte da ativista Doroth Steng em Anapur no Pará, fazia com os outros moradores do Antimary ficassem como medo.
A Justiça Federal foi acionada e a juíza Carolyne Souza em novembro do ano passado determinou a imediata desocupação da fazenda por Amair e afilha Patricia, foi dado um prazo de 60 dias para que fossem retirados todos os bens e que os mais de 5 mil hectares fossem devolvidos ao estado do Acre para compor a unidade de conservação.
Na petição do dia 16 de março os advogados informaram que a fazenda Canaã foi desocupado e se tiver alguém no imóvel – são invasores que se aproveitaram no momento -. A Justiça deve expedir algum pedido para que equipes da Polícia Federal ou do Batalhão Ambiental que foi ao local possam ir até a fazenda e verifique se realmente houve a desocupação.
A Justiça também vai avaliar no processo os danos ambientais a floresta, eles podem ultrapassar os R$ 6 milhões. Muita área de mata nativa foi abaixo, inclusive castanheiras que formam a base da renda das famílias que já viviam na área com o extrativismo.


