Governo quer viabilizar exportação para Rússia
No Brasil, o mercado interno é responsável pelo consumo de 85% do que se produz de carne de porco. Em uma explicação elementar, de cada 100 porcos produzidos, apenas 15 seguem para o exterior.
Boa parte dos 15 porcos que sobram para vender para fora do país vai para a Rússia. Em números aproximados, a Rússia compra cerca de 5 dos 15 porcos que o Brasil exporta. É praticamente um terço.
É nesse mercado que o Governo do Acre quer entrar, concorrendo com estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O que entusiasma assessores palacianos próximos a Tião Viana é a construção de um frigorífico em Epitaciolândia com capacidade de 2 mil cabeças por dia e a produção consorciada de insumos, com destaque para o milho. Na infraestrurtura, mais uma vez, a Estrada do Pacífico é uma das vantagens comparativas que o Palácio Rio Branco quer vender Rússia à fora.
Na prática, essa via de escoamento, para o Acre, ainda não disse a que veio. Por questões razoavelmente óbvias: falta de mão de obra qualificada, falta de insumos, falta de infraestrutura (inclusive viária).
“É quase uma piada”, diz uma fonte ligada à pecuária regional. “Aqui no Acre, de uns tempos pra cá, começou-se a ter uma mania megalomaníaca sobre questões relacionadas à produção que eu não sei onde se ampara esse raciocínio”.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária, Assuero Veronez, não é “megalomaníaco”, acredita na possibilidade de ampliação da base produtiva, mas é cauteloso quando se fala em exportação de porco para a Rússia nesse momento.
“Não acredito nessa possibilidade no curto prazo”, afirmou Veronez, em entrevista ao site agazeta.net. “Antes de nós falarmos em Rússia, nós temos o mercado Andino que são bons consumidores de carne de porco e estão próximos a nós”.
Há um outro detalhe da experiência acriana no setor de suinocultura: a Parceria Público Privada existente no Alto Acre não sobrevive sem a fatia pública da sociedade. Sem o Governo do Acre em toda cadeia produtiva, o empreendimento teria sérias dificuldades em se consolidar no mercado.
De acordo com os números do próprio Governo, percebe-se como a produção acriana de suínos é incipiente:
1970 103.125
1975 109.625
1980 123.669
1985 158.558
1995 161.181
2006 120.602
Fonte: Acre em Números 2013


