Execuções, facções e mais de 300 homicídios
Não tinha como ser diferente: o balanço na área de Segurança Pública foi realista. Foi o ano mais violento da história do Acre. Com mais de 300 homicídios, 2016 foi classificado pelo secretário de Estado, Emylson Farias, como “um ponto fora da curva”.
E mostra números: em 2014, foram assassinadas no Acre 192 pessoas; em 2015, foram 189 homicídios e este ano foram “mais de 300”, segundo contabilizou Farias em entrevista realizada na manhã desta terça-feira no auditório da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
A estratégia do secretário tentou defender a ideia de que, apesar de o cenário mostrar “um Estado brasileiro doente”, o Acre conseguiu dar respostas eficazes, seja com elucidação de homicídios que ultrapassam 80%, seja por meio das mais de 500 prisões efetivadas em 39 operações ao longo do ano.
A disputa entre facções, a interiorização dos grupos criminosos, o comércio e tráfico de drogas na fronteira, a baixa atividade econômica agravada com cenário de crise formam um ambiente favorável à violência. Para responder a isso, o poder público utiliza o conceito de “autoridade repressiva”.
O que é isso? Em linguagem clara: policial na rua prendendo. O Acre ainda não está em um quadro de violência endêmica (quando há mais de 70 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes). E aqui reside a “leitura positiva” do secretário diante do problema. “O Acre trabalhou no limite de suas forças para conter a violência”.
Durante a coletiva, foi lembrada a pesquisa recente feita pela consultoria Macroplan e divulgada pela revista Exame que aponta o Acre como o 4º estado menos violento do país. “Isso é um dado. Está aí para quem quiser ver e avaliar”, sugeriu o secretário. “Mas, a sensação de Segurança não é essa”, admitiu.
Comércio de munições: promessa de maior controle
Na semana passada, o Governo do Acre se reuniu com representantes do Exército Brasileiro com uma demanda clara: intensificar o controle do comércio de munições no Acre.
Nas diversas ocorrências policiais, os gestores perceberam que os bandidos e assassinos ou estavam com o revólver cheio de arma ou tinham munições sobrando. Há casos em que as apreensões eram exclusivamente de munições.
A ideia é fazer com que o Exército, responsável legal pela fiscalização do comércio de munições no país, intensifique presença nos comércios. “Há casos em que uma pessoa comprou 30 mil munições em um ano”, diz. “Esse ‘aperto’ no comércio de munições nós vamos dar”.
Gestão: Fundo Estadual de Segurança Pública
A Fundo Estadual de Segurança Pública, aprovado este ano na Assembleia Legislativa, está com R$ 18,2 milhões disponíveis para aplicação no setor em 2017. Desse total, R$ 8,8 milhões vão ser direcionados para o sistema prisional.
Os R$ 3,3 milhões oriundos de emendas parlamentares do deputado federal Alan Rick (PRB/AC) vão ser aplicados na criação de um “cerco eletrônico” em Rio Branco, uma espécie de rede de monitoramento em toda a Capital.
O tratamento preventivo com escolinhas de futebol, música e atividades de lazer são medidas anunciadas para tentar bloquear o envolvimento da juventude com o crime. No Acre, em 2016, mais da metade dos homicídios tem envolvimento de jovens.


