Medida foi necessária para identificar fraude eleitoral
Na hora de sacar o benefício do Bolsa Família, o proprietário do cartão é surpreendido com uma mensagem: nela, o Ministério do Desenvolvimento Agrário comunica que o valor mensal da bolsa está bloqueado e que é preciso procurar o setor do programa da cidade para confirmar informações sobre serviços prestados na campanha eleitoral de 2016.
No país, 13 mil pessoas cadastradas no programa tiveram o benefício bloqueado no mês de outubro. No Acre, a medida atingiu apenas 48 famílias. Em um cruzamento de dados do Cadastro Único de programas sociais do Governo Federal (CadÚnico) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram identificadas doações para candidatos nas eleições municipais, incompatíveis com a renda declarada por beneficiários.
Primeiro, o rastreamento levantou 16 mil nomes, mas foram excluídos 3 mil, que já não pertenciam ao programa por não se enquadrarem mais nas regras. Agora, 13 mil pessoas no país precisam regularizar a situação em seus municípios para não ter o benefício cancelado.
Em Rio Branco, até agora, apenas quatro beneficiários que estão nessa situação procuraram a Secretaria Municipal de Assistência Social. Os quatro disseram que só prestaram serviço e afirmaram que não fizeram doação de campanha. Duas mulheres do grupo foram até a secretaria com o candidato para o qual trabalharam, supostamente para que ele reafirmasse as informações. Essas mulheres manifestaram preocupação com as suspeitas.
Quem recebeu a mensagem no extrato bancário e teve o benefício bloqueado tem o prazo de até 6 meses pra regularizar a situação.
Os beneficiários do Bolsa Família não são proibidos de fazer doações de campanha, mas, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a doação precisa ser coerente com a renda declarada pela família no Cadastro Único.
Suspeita-se que candidatos tenham usado o CPF de pessoas que trabalharam na campanha para cobrir doações ilícitas.


