Mâncio Lima apresenta o maior número de casos
Os municípios do Juruá são os que apresentam o maior número da doença, entre eles está Mâncio Lima que apresenta o maior Índice Parasitário Anual do país, com o registro de mais de 400 mil casos por mil habitantes.
Em 2016 foram realizados 41.527 exames no município, foram registrados 7.885 casos positivos, sendo 7.116 altoctones (local) e 741 importados de outros municípios, além de 1.174 de falciparum, este ultimo é o tipo de malária mais grave.
Já em 2017 os números foram bem maiores, foram computados 43.766 exames, destes 9.274 positivos, sendo 8.714 altoctones, 473 importados de outros municípios e 1.797 falciparum.
O gerente de endemias da secretaria de saúde de Mâncio Lima, Francisco de Melo Santos, aponta que um dos problemas para que a número de casos tenha aumentado é a demora que as pessoas têm para tratar a doença, “às vezes a doença leva alguns dias para apresentar sintomas mais graves, geralmente quando as pessoas realizam o exame estão no primeiro ou segundo dia, apresentando apenas dores de cabeça, isso leva as pessoas a não se cuidarem, nem se preocuparem com o tratamento, esperam muito para tratar e acabam passando para outras pessoas.”
Melo conta ainda o que tem sido feito para reduzir esses dados, “temos buscado parceria com atenção básica, inserir a equipe da saúde da família para que eles possam fazer essa ponte com a comunidade, acompanhando os pacientes. Além disso estamos tentando aumentar o número de agentes de endemias que atualmente no município são 10, para cobrir uma área maior.”
Cruzeiro do Sul
Outro município que fica na região considerada endêmica é Cruzeiro do Sul.
Dados do Sisepe (Sistema de Vigilância Epidemiológica) apontam que de 2015 a 2016 foi registrado um aumento de 32% de casos confirmados no município, já em 2017 o acréscimo foi de 10% em relação ao ano anterior.
De acordo com a coordenadora de vigilância entomológica do município, Muana da Costa Araújo, desde que sua equipe assumiu os trabalhos na cidade medidas mais enérgicas tem sido adotadas. “É um trabalho que vemos o resultado a longo prazo. Intensificamos os trabalhos de prevenção, aumentamos as equipes que realizam a borrifação, ampliamos os postos de notificações em locais de difícil acesso.”
Ainda segundo a coordenadora, a região do Juruá é mais propicia para a proliferação do mosquito transmissor da doença por alguns aspectos: vulnerabilidade da população; criadouros disponíveis naturais e artificiais; circulação dos moradores para outros municípios; localização das residências. Na região são registrados 98% dos casos confirmados em todo o estado.
“Em relação aos criadouros artificiais é porque na região temos um número grande tanques de peixes, por isso fazer um trabalho diferenciado com os piscicultores, para que mantenham as bordas dos tanques limpos, dificultando assim a proliferação do mosquito,” completa a coordenadora.
A doença
Doença causada por um parasita Plasmodium, transmitido pela picada de mosquitos infectados.
A gravidade da malária varia de acordo com a espécie de Plasmodium.
Os sintomas são calafrios, febre e sudorese, ocorrendo geralmente algumas semanas depois da picada.
Geralmente, pessoas que viajam para áreas onde a malária é comum tomam remédios preventivos antes, durante e depois da viagem. O tratamento inclui medicamentos antimaláricos.
O tratamento deve ser feito com auxilio médico e deve durar dias ou até algumas semanas.
