O presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Alexandre Nascimento, será convocado a comparecer a uma audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (Aleac) no próximo dia 29. Ele enfrenta acusações de ameaçar policiais penais femininas, após uma denúncia feita pela Associação dos Servidores do Sistema Prisional.
Os relatos apontam que, em uma visita à unidade feminina do presídio Francisco de Oliveira Conde, Nascimento convocou as policiais para uma reunião e ordenou que fossem fotografadas, para identificar quem discutia sobre a vida pessoal.
As acusações envolvem ainda a suspeita de uma aventura extraconjugal do presidente com a filha de uma policial penal, o que teria gerado atritos e desentendimentos. Durante a reunião, Nascimento teria afirmado que os telefones das agentes estavam grampeados pela polícia civil, com ameaças, o que gerou preocupações sobre possíveis abusos e violações de privacidade.
O deputado Arnaldo Nilson Cunha, presidente da Comissão de Segurança Pública, destacou a gravidade dos fatos e a necessidade de uma investigação aprofundada.
“Essa investigação é uma parte. Só a justiça pode pedir o grampo de uma linha telefônica. Foi afirmado pelo presidente do Iapen que elas estavam sendo investigadas, que telefones estavam grampeados e uma série de denúncias muito graves, por isso que requer o devido cuidado e investigação”, explica o deputado.
Na reunião, Nascimento ainda mencionou que alguém teria pago para um blog divulgar matérias sobre ele e exigiu que qualquer fofoca a esse respeito fosse comunicada pelas policiais. A Associação dos Servidores do Sistema Prisional considerou as ações do presidente como coação, desrespeito e ofensas graves, que resultaria em danos psicológicos para as profissionais.
A Comissão de Segurança Pública prosseguirá com a investigação, após ouvir depoimentos das policiais penais.
O deputado Eduardo Magalhães, do PCdoB, ressaltou a necessidade de afastamento urgente de Alexandre Nascimento, com argumento de que ele não possui condições para gerir o sistema prisional. A ameaça das policiais penais de buscar medidas protetivas caso o governo não tome providências indica a gravidade da situação.
“Ele não tem mais condições de gerenciar o sistema prisional. Nós precisamos e aguardamos que o governo tome iniciativas, mas nós levaremos, no âmbito da Comissão de Segurança Pública e da Comissão de Direitos Humanos, um projeto de decreto legislativo, para que a gente discuta o afastamento do diretor-presidente do Instituto Penitenciário. Ele hoje é ponto de instabilidade no sistema que é completamente sensível. Agora vamos ver qual é a resposta”, comenta Magalhães.
O governador Gladson Cameli se comprometeu a investigar o caso, mas a repercussão e a determinação das policiais em denunciar podem levar a medidas mais severas para preservar a integridade das agentes e a imagem do governo. Cameli reforçou a posição contrária a qualquer forma de agressão e destacou a importância de evitar situações que possam manchar a reputação do governo e dos gestores públicos.
“Eu sou contra qualquer tipo de agressão, qualquer tipo de insinuação, principalmente quando ocupa algo público. Eu tento me policiar, então todos os secretários que não contam baixos têm que se policiar. O que eu não posso é o quê? É politizar a situação”, conclui o governador.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta



