Separando…
Todo o ano é a mesma ladainha. Sempre tem um oportunista que aproveita a aprovação da Lei Orçamentária Anual para desancar críticas ao Governo. Não há nada errado em criticar o Governo. Mas, é preciso um pouco mais de critério para não sair falando incorreções.
… joio…
A eterna comparação entre o que se gasta com verba de mídia e com os demais setores de governo é sempre feita. E feita de forma incorreta. Todo governo precisa divulgar suas ações, gastar com divulgação é algo previsto em lei.
… do trigo
Aliás, o próprio Governo, contaminado com essas críticas, acaba “congelando” os investimentos no setor de Comunicação. Os problemas da gestão são de outra natureza bem distinta do volume de recurso que se gasta com divulgação.
Monotemáticos
Há alguns pré-candidatos que se arvoram entender de apenas um tema e nele depositam a esperança de se eleger. Segurança Pública é a pauta do momento. Aí, sempre tem os aproveitadores que se iludem achando que uma campanha, por mais curta que seja, é tocada apenas por um ponto da agenda de governo.
Pró-Saúde
Aleac, pela primeira vez na gestão da Frente Popular, demonstrou um pouco de brio nessa questão do Pró-Saúde. O líder do Governo, Daniel Zen (PT) defendeu abertamente que o projeto de Raimundinho da Saúde (que transformava a para estatal em uma autarquia) fosse rejeitado pela Casa. Mas, 20 deputados votaram com o deputado do Podemos.
Pró-Saúde II
A liderança do governo na Casa foi reduzida a pó em uma votação que demonstrou que, em ano pré-eleitoral, os deputados sabem exatamente em que lado ficar para não melindrar “a vossa majestade o eleitor”.
Inconstitucional
Para o Palácio Rio Branco, o projeto de Raimundinho da Saúde é inconstitucional, pelo critério “gastos públicos”. Ponto. Explicando: o parlamentar não pode pensar em formular uma lei que vá mexer no sagrado e minguado cofre do governo. Mas, entre jogar para a galera e observar a legislação…
E agora?
A Aleac vai derrubar o veto do governador? Isso só será feito no início do ano legislativo de 2018. O clima na pré-votação do PL de Raimundinho foi muito pesado. O Sintesac fez valer a pressão: choro de servidor ameaçado no cangote de parlamentar tem peso político.
Justiça
Isso tudo vai cair no colo da Justiça. e quanto mais próximo das prévias dos partidos, mais complicada fica a situação. Uma trincheira do tamanho do mundo se abriu entre a Aleac e o Palácio Rio Branco.
Custo….
Vai custar caro à base de sustentação do governo o grito de independência dado ontem quando contrariaram a determinação governamental e aprovaram a transformação do Pró-Saúde em autarquia. O governo queria que sua base derrotasse o projeto. Não conseguiu nenhum voto contra.
… da
O governo tentou de tudo. Até esvaziar o plenário para evitar o quórum. Nada deu certo. Nem os telefonemas do Iraílton que se achou no direito de esculhambar o líder do governo, que, coincidentemente, é o presidente da executiva estadual do PT. Ou seja foi o dia da insurgência das bases. Geral.
… independência
O presidente do Legislativo, Ney Amorim (PT), que havia se comprometido com os funcionários do Pró-Saúde de colocar o projeto em votação quando chegasse à Mesa Diretora, sentiu o peso da ira governamental. “Você é o cara que queria ser senador?”, esmurrou a voz do outro lado da linha. Ney ficou lívido, mas, segurou a peteca.
Emissário
A ameaça telefônica foi feita através do aparelho do Líder do PT, Lourival Marques, porque Ney Amorim não atendia às insistentes chamadas da Casa Rosada. Lourival colocou o telefone no ouvido do presidente, que então sentiu o murro em forma de frase.
Fanfarronice
Depois que tudo deu errado, o governo ainda tentou ganhar tempo para evitar a votação em plenário. Para isso, contou com a colaboração do deputado Eber Machado (PSDC), que concordou em segurar o projeto na comissão de Serviço Público que preside. Não conseguiu, apesar da promessa: “Deixa que eu seguro”. O interessante é que Eber há até pouco tempo era persona nom grata no palácio. Não custa lembrar que ele ameaçou sair da FPA, o governador exonerou os cargos dele e ele voltou pianinho para o reduto.
Escore
No fim, o projeto do deputado Raimundinho foi aprovado com os votos favoráveis de 20 deputados; com a abstenção do líder do governo e com as ausências da deputada Juliana Rodrigues (PRB) e do deputado Jairo Carvalho (PSD). Jairo preferiu não perder a esposa depois de receber um ultimato “ou você vem me buscar ou não volto mais”. A esposa do parlamentar estuda em Santa Curz de La Sierra, Bolívia.
Mosqueteiros
A relação do chefe do Executivo com sua base de sustentação azedou. Mas, o problema maior é com os três mosqueteiros- o presidente do Legislativo, Ney Amorim (PT), por ter contrariado a determinação de evitar a votação; o deputado Jenilson Lopes (PCdoB) por ter colocado o projeto em votação na CCJ e com o deputado Raimundinho da Saúde (PODEMOS), por ser o autor do projeto que transforma o Pró Saúde em autarquia.
Arauto
A ira governamental foi derramada via porta voz, que anunciou que o governo vai vetar o projeto. A esperança das lideranças da FPA é que o senador Jorge Viana (PT) entre em cena para controlar o trem desgovernado em que se transformou a administração, antes que Tião Viana eleja Gladson Cameli (PP) com recorde de votos.
Expectativa
A maior expectativa é em relação ao presidente do Legislativo, Ney Amorim. Na bolsa de apostas políticas, sobem as apostas que ele vai para um partido de oposição, após impedirem a candidatura dele ao Senado. O PSDB está alvoroçado com a chance e o PDT, que está na FPA, mas não descarta a possibilidade do “tudo pode acontecer”, também estendeu o tapete vermelho para Ney.
Expectativa II
O deputado Raimundinho é outro que inclusive já anunciou que pode se transferir para a oposição, juntamente com o irmão Raílson Correia, vereador. O único dos 3 Mosqueteiros que permanecerá em seu próprio partido é Jenilson Lopes, porque o presidente regional do PCdoB, Moisés Diniz, não joga no time do governo.
Próprio veneno
O Governo do Acre, com essa questão do Pró Saúde, prova do próprio veneno. Foi em um governo do PT que aprovaram a criação do Pró Saúde como paraestatal. Segundo juristas, a criação da paraestatal era inconstitucional. A pergunta que não cala é: “se era inconstitucional e o governo forçou a aprovação, como alega agora que a autarquia Pró-Saúde tem que ser vetada por ser inconstitucional?” Que assuma logo que o constitucional e o inconstitucional não passam de questão de conveniência.
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