Passado
Garantido o trânsito normal das pontes na fronteira entre Brasileia e Epitaciolândia com o Departamento de Pando, na Bolívia, chega o momento de fazer alguma reflexão sobre o problema.
Fragilidades
O episódio expôs uma sequência de fragilidades das instituições, tanto da Bolívia quanto do Brasil. Um breve resumo da ópera bufa diz o seguinte: o acriano Sebastião Nogueira, acusado de ajudar no sequestro de um jovem boliviano é “sequestrado” por policiais bolivianos quando estava na casa onde morava em Epitaciolândia. Esta foi a segunda (e exitosa) tentativa de levar o brasileiro na marra. Revoltada, a família iniciou um protesto que durou 15 dias: durante parte desse tempo, as duas pontes (Ponte Internacional e Ponte Ilson Ribeiro) ficaram bloqueadas.
Mais
Promotores, advogados, senadores, deputados, governador, assessores… a romaria dos poderosos que estiveram no local do protesto foi longa. Nenhum resolveu nada. O assunto só teve um desfecho eficaz com a ordem judicial expedida pela Justiça Federal.
O perigo
Do “sequestro” do moçoilo Nogueira à decisão expedida por juiz federal, o que se assistiu foi um desfile de fragilidade institucional, sobretudo do lado brasileiro. Nas cabeceiras das pontes do lado de cá, eram rotineiros os argumentos que expunham a postura da intolerância e do preconceito contra bolivianos. O protesto serviu apenas como mote para que expusesse um sentimento atávico, cheio de ódio e rancor contra o vizinho latino. Soberba de pobres em face de outros tantos pobres.
O perigo II
A imagem, aparentemente ingênua, que resume esse espírito é a da mãe do jovem “sequestrado” enrolada em uma bandeira do Brasil. É evidente que não se pode exigir lógica e equilíbrio de uma mãe que teve o filho carregado nessas condições. Mas, o falso patriotismo, neste caso, se mistura em uma nebulosa cheia de perigo.
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