Como o Acre tem investidos em novos valores esportivos?
Para quem já teve a felicidade de acompanhar uma olimpíada (mesmo que pela TV) sabe da emoção que é vibrar com a vitória de um atleta brasileiro e vê-lo subindo no pódio ao som do hino nacional. Daqui a quase um ano teremos a disputa das Olimpíadas no Rio de Janeiro 2016.
Claro, depois do vexame que foi a Seleção Brasileira e aquele fatídico 7 a 1 para a campeã Alemanha, é natural que o torcedor fique, digamos, de crista caída. Mas, a baixa autoestima do brasileiro, diante dos últimos resultados internacionais, não é o pior dos males. Estamos com os jogos olímpicos batendo às portas e, além dos atrasos na construção dos equipamentos, os investimentos para a formação de futuros campeões ainda não alcançaram os 26 estados e o Distrito Federal. Estou falando do tal “legado” dos jogos.
Vamos citar como exemplo o Acre. São poucas as escolas que possuem quadras cobertas para a prática esportiva. A Universidade Federal do Acre (Ufac), até agora, não conseguiu construir um ginásio poliesportivo. O único ginásio público em condições de receber jogos, o Álvaro Dantas (na Baixada da Sobral) é da década de 70 e sua estrutura está ultrapassada. Um novo equipamento precisa ser erguido rapidamente para atender à atual demanda.
Nem o Governo do Estado, tampouco a Ufac, dispõem de uma pista de atletismo necessária para formar os futuros profissionais de educação física e também para “garimpar” os campeões de amanhã. A única pista em atividade é a do Sesi, construída ainda na década de 90. Aí você pode afirmar, leitor: mas temos uma piscina olímpica construída pelo governo na escola Armando Nogueira.
Verdade, mas falta uma gestão mais eficiente do espaço. Poucas são as atividades desenvolvidas naquele lugar. A própria Federação Acreana de Natação já se manifestou publicamente pelo fato das competições serem realizadas somente na piscina da AABB (de 25 metros) ao invés da piscina olímpica da Armando Nogueira (50 metros).
As federações também não cumprem o seu papel de revelar os futuros campeões olímpicos, salvo raríssimas exceções, como a Federação Acreana de Taekwondo. A entidade, dirigida pelo professor Itassi Camargo, investiu na qualificação de seus professores, fez parcerias com o poder público, investiu em equipamentos modernos e enviou atletas para a disputa de competições nacionais (o chamado intercâmbio).
O resultado veio rápido: a jovem acriana Liriel Dara conquistou medalha de ouro na Copa do Brasil de Taekwondo, na categoria cadete, até 44 kg, no ano passado, em Natal, no Rio Grande do Norte. Com os bons resultados obtidos em outras competições, Liriel é a primeira acriana a ser convocada para a Seleção Brasileira de Taekwondo. Um feito que pode muito bem servir de inspiração para atletas e dirigentes.
Um dos símbolos da nossa juventude, os Jogos Escolares do Acre, precisa passar por uma profunda reformulação. Não conseguimos produzir campeões. Em 2014, estive realizando a cobertura da fase nacional dos jogos em João Pessoa (PB). Salvo raras exceções, como o handebol masculino e o basquete feminino, a participação do Acre na disputa foi uma decepção. A maioria dos atletas estava mais preocupada em conhecer o litoral do que competir.
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Esporte, Prefeituras e os profissionais de educação física precisam realizar um grande fórum para debater o esporte desde a sua base e encontrar soluções conjuntas para tentar tirar o Acre dessa situação de total estagnação. Os calendários precisam ser construídos de forma a atender a demanda. A educação física deve cumprir os seus objetivos principais: primeiro a formação do homem e depois forjar os futuros campeões do esporte.
Senildo Melo – Jornalista, formado em Educação Física pela Universidade Federação do Acre (UFAC), Pós-Graduado em Comunicação, Cronista Esportivo filiado à Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (ABRACE) desde o ano 2000 e escreve aos domingos sobre esporte no site Agazeta.net.


