Lei do silêncio
Deputados aplicam a Omertá em relação à aprovação do Pró-Saúde enquanto autarquia. Depois do passo avançado, preferiram recuar dois passos e estão “de butuca”, aguardando e avaliando como onças, os movimentos no palácio.
Esperança
Esse jogo de xadrez político está cada vez mais interessante. O governador anunciou que vai vetar o projeto. Os deputados garantem que vão derrubar o veto. Nenhum dos lados, entretanto, desconhece que depende um do outro por uma questão de sobrevivência política. Portanto, é prudente não esperar as retaliações anunciadas.
Às pazes
A expectativa é que o governo e a base fumem o cachimbo da paz até o dia 31 de dezembro. E que a meta de ano novo seja não brigar mais. Afinal, o que é um governo sem base? Se a oposição, minoritária, já pinta e borda?
Barbas de molho
As consequências inéditas da aprovação da “Lei Raimundinho” deixaram a bancada de oposição com as barbas de molho. O comentário registrado numa reunião da oposição foi esse “Já pensaram que daqui a pouco a bancada de sustentação seremos nós?”
Nem com peia
O senador Gladson Cameli (PP) está tentando de todo o jeito fazer as pazes com o casal Vieira de Sena Madureira. A todos os recados pedindo um encontro para conversar, Zé Vieira (PSDB) responde com um silêncio enigmático e a mulher dele, Toinha Vieira, faz cara de paisagem. Amigos próximos do casal afirmam que Gladson vai ter que se esforçar muito para conseguir o perdão do casal.
Saída
O deputado Major Rocha já anunciou que vai votar contra a Reforma da Previdência. Como o novo presidente do PSDB nacional, Geraldo Alckmin que está cada vez mais próximo de Temer, anunciou que o partido pode fechar a questão: ou seja, todos os deputados terem que votar pela aprovação. O deputado acriano pode ter como alternativa ausentar-se da Câmara dos Deputados para não ter que se abster.
Ônus
Melhor fugir que se abster. Que o diga o líder do governo, Daniel Zen (PT), que está pagando um alto preço. O líder não quis desagradar ninguém e acabou desagradando todo mundo. O governo ficou com raiva dele por não ter tido coragem de comprar a briga e os funcionários também. Ou seja, virou o traíra para os dois lados.
Desenvolvimento
O debate sobre “desenvolvimento” nos moldes desmata X não desmata; produtores X ambientalistas cheira a aranha. Mas, é nesse tom que ele volta à campanha eleitoral de 2018. É um debate envelhecido pelo tempo e pelos avanços que a Ciência já disponibiliza a governos, empresas e empreendedores. Se não acessam, aí o problema é de (im)competências.
Grupo
Há um pequeno grupo de produtores que teima em demonstrar a viabilidade do plantio de soja na região. Esses produtores defendem a ideia de que a soja é viável; de que a hidrovia do Madeira tem condições de acolher a incipiente produção do Acre. É óbvio que a maior parte dos integrantes desse grupo não tem simpatia pelo projeto de desenvolvimento em execução no Acre desde 1999.
Grupo II
Eles querem mostrar justamente que a produção de soja tem viabilidade no Acre. “Basta que o governo compreenda isso”, diz um dos entusiastas do setor. “O projeto de desenvolvimento florestal demonstrou que fracassou. A vocação do Acre ou é agrícola ou não é”.
Soja
É fato: soja não é uma cultura para qualquer bolso. É preciso ter capital instalado na propriedade; é preciso ter crédito; é preciso ter tecnologia agregada à produção. Onde fica o pequeno produtor nisso? Há espaço. O problema é que para o pequeno produtor ter acesso a tudo isso, só com apoio incondicional de governos e bancos. E quantos estão dispostos a apostar isso no Acre atualmente? Quantas associações e cooperativas estão em condições de atender essa agenda produtiva no Acre?
Áreas degradadas
O Governo do Acre diz que 13% do território está desmatado. Desse total, de 400 a 500 mil hectares são áreas degradadas. Quanto isso renderia de empregos e riqueza na região caso ao menos uma parte fosse canalizado para a produção de soja (ou outro grão com apelo comercial)?
Pressão
Caso o governo viabilizasse políticas de incentivo para produção de grãos em áreas degradadas não haveria pressão para mais desmate? É óbvio que sim. Há quem defenda que “um pouco mais de desmate seria bom”; há quem defenda que “há tecnologia para melhorar a produtividade”; há quem defenda que “soja, não!”
Palanque
É um pouco desse ambiente que os palanques eletrônicos da campanha de 2018 traz. Algo novo? Efetivamente, não. Mas, vem. E vem “de com força”! E o debate tende a vir desqualificado e maniqueísta.
Uma pergunta
Dos candidatos que estão apresentados, qual tem uma proposta efetivamente inovadora para o setor da produção? Os que contestam a atual ordem política, uma vez eleitos, fariam o que de diferente no setor do que já foi tentado?
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