O Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), criado em 1966, alcançou um rendimento recorde em 2024, totalizando mais de R$ 15 bilhões. De forma inédita, o lucro foi distribuído de maneira antecipada, antes do prazo final previsto para 31 de agosto.
Segundo o advogado Renato Tavares, especialista em causas trabalhistas, o FGTS funciona como uma proteção financeira para o trabalhador. “É um valor que é calculado sobre o salário do trabalhador e depositado em uma conta única. Esse dinheiro é aplicado e também financia setores como a habitação. Em casos de demissão ou outras situações previstas em lei, o trabalhador pode sacar esse valor”, explicou Tavares.
O FGTS é um dos principais mecanismos de poupança dos trabalhadores formais no Brasil, e os lucros distribuídos anualmente representam uma renda extra que pode ser usada para diversos fins, como a compra da casa própria, tratamentos de saúde ou aposentadoria. Em 2024, houve uma distribuição de 65% do lucro total, equivalente a R$ 15,2 bilhões. “Geralmente, a Caixa Econômica faz essa distribuição até o final de agosto, mas neste ano, eles anteciparam, finalizando o pagamento do lucro para todos os trabalhadores”, acrescentou o advogado.
Renato Tavares também destacou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que alterou a correção do FGTS, agora realizada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do Brasil. “Essa mudança significa que o dinheiro do FGTS não perderá o poder de compra como vinha acontecendo. É importante lembrar que a distribuição de lucros é diferente da correção do valor na conta do trabalhador”, disse ele. Tavares explicou ainda que os trabalhadores podem verificar o lucro recebido diretamente no extrato do FGTS pelo aplicativo da Caixa Econômica, mas o saque desse valor continua limitado às condições previstas em lei, como demissão sem justa causa, compra de imóvel, doenças graves, entre outras.
Com informações do repórter Marilson Maia para TV Gazeta
