Logo na entrada, o cenário é de abandono. O que um dia foi anunciado como um espaço para revelar novos talentos do esporte acreano hoje acumula ruínas. O Centro Poliesportivo da Baixada, construído com a promessa de transformar a realidade de jovens da periferia, teve mais discursos políticos do que ações concretas para que, de fato, funcionasse.
As quadras, inauguradas com pompa, ficaram destruídas poucos meses após a conclusão das obras e nunca mais foram recuperadas. Uma delas se transformou em uma espécie de piscina de lama. Na outra, traves de futebol e tabelas de basquete desapareceram. O campo de futebol segue sem traves, tomado pelo mato que esconde buracos abertos pelo tempo e pelo abandono do poder público.
Os vestiários, que deveriam oferecer dignidade aos atletas, hoje servem como depósito de lixo. Janelas arrancadas, fiação elétrica levada, itens de banheiro furtados. Até os azulejos foram retirados das paredes. A destruição está por todos os lados. Nada sobrou do complexo esportivo.
Há exatamente dez anos, o governo federal investiu cerca de cinco milhões de reais no local. A proposta era clara: incentivar o esporte, descobrir novos talentos e oferecer alternativas a crianças e adolescentes em uma das regiões mais vulneráveis da capital. O centro funcionou por pouco tempo e, hoje, se tornou uma referência negativa do descaso com o esporte e da falta de respeito com a juventude acreana.
Quem convive diariamente com esse cenário é o jogador Gustavo, atleta do São Francisco, que mora em frente ao complexo. Ele conhece de perto as dificuldades de quem sonha em seguir carreira no esporte no Acre, especialmente nas áreas periféricas, onde as oportunidades são escassas e os riscos sociais são constantes.
“Geralmente era para eles darem uma atenção a mais, porque aqui é periferia. Muitas crianças gostam de praticar esporte e, infelizmente, como vocês estão vendo, eles não dão atenção. Eu acho que eles poderiam dar uma melhorada, colocar um ginásio, uma grama sintética, uma piscina, dar uma visibilidade melhor para a Baixada”, lamenta.
Hoje, o espaço que poderia atender centenas de jovens e afastá-los das drogas e da violência urbana é apenas um retrato do abandono. E qualquer esperança de recuperação pode ser definitivamente enterrada. O complexo está na área onde o governo do Estado planeja construir a quinta ponte, que ligará o bairro Quinze, no Segundo Distrito, ao Aeroporto Velho.
Com a obra, o Centro Poliesportivo da Baixada deixará de existir por completo. Todo o investimento feito será perdido, assim como o sonho de quem acreditou que aquelas quadras e aquele campo estariam cheios de jovens atletas.
A construção da ponte, orçada em cerca de 67 milhões de reais, avança como prioridade política, enquanto o esporte e o futuro de jovens da periferia ficam para trás. O espaço que deveria representar oportunidade e inclusão termina como mais um capítulo de desperdício de dinheiro público e abandono social.
Com informações do repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net


