O que o poder público tem feito?
Desde a segunda-feira (24) instituições do estado celebram os 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência contra a Mulher, mas na verdade o Acre nada a tem a comemorar. Em sentido contrário a ação, somente nesta quarta-feira (26) dois casos bárbaros de violência contra a mulher foram registrados pelas equipes de reportagem da TV Gazeta e site A Gazeta.net.
No interior do estado, no município de Xapuri, uma jovem de 15 anos foi assassinada pelo namorado da mãe. A jovem na tentativa de intervir numa discussão entre os dois foi atingida com três golpes de faca, na perna, na cabeça e no pescoço. Apesar de ter sido levada ao hospital, a jovem não resistiu aos ferimentos.
Já em Rio Branco, no bairro Vila Acre, Evelene Ludegero da Silva, 30 anos, foi assassinada com requintes de crueldade pelo marido, que antes de esfaqueá-la por diversas vezes, a enforcou com um fio. Ainda não se sabe o que motivou o crime e o agressor está foragido.
Muitos outros casos, que não têm um desfecho tão trágico, passam despercebidos. Mas, estes dois casos, além de chocarem, trazem o questionamento sobre quais as ações estão sendo feitas pelo poder público para evitar problemas como os que insistem em se repetir todos os dias.
Ações preventivas e de combate
Segundo a Secretária de Estado de Políticas para Mulheres, Concita Maia, existe toda uma rede de instituições que trabalham com casos ligados a violência contra mulher. Concita explica que a Sep Mulheres trabalha especificamente com as vítimas.
A secretaria tem dois ônibus equipados, onde as equipes vão a zona rural e da forma adequada chegam até as mulheres agredidas. “Nós conversamos com as mulheres sobre vários assuntos, iniciamos perguntando sobre o trabalho, os moradores da residência e conforme a conversa evolui, entramos na questão de violência doméstica”, disse.
Além do trabalho na zona rural, a secretária disse que é trabalhado palestras em escolas, seminários, rodas de conversação com as mulheres, além de capacitações oferecidas pelo governo.
Sobre o problema no Estado, Concita afirmou que deve-se combater “a raiz do problema”, e que apesar das drogas e as bebidas serem “potencializadoras de casos de agressão”, a questão é mesmo cultural.
“Desde pequenos os meninos aprendem a revidar qualquer agressão, já as meninas são incentivadas a ficarem caladas, a baixar a cabeç. Precisamos desconstruir essa mentalidade”.
Ela informou ainda que em março de 2015 será lançado um manual voltado a comunidade escolar que possa auxiliar a difundir a ideia de que homens e mulheres têm os mesmos direitos. “Não queremos mandar, nem ser mandadas, queremos apenas ser tratadas com igualdade”.


