As queimadas que atingem o estado do Acre têm causado impactos na fauna silvestre local. Sem opções de fuga, muitos animais acabam morrendo ou sofrendo graves ferimentos causados pelo fogo e pela fumaça. Os poucos que conseguem sobreviver enfrentam um destino incerto, muitas vezes com sequelas físicas graves.
Em Rio Branco, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama se tornou um dos principais destinos para esses sobreviventes. No local, os animais resgatados recebem cuidados intensivos, como relata Elaine Oliveira, chefe do Cetas. “Tem animais que chegam com queimaduras, filhotes que chegam órfãos, como essa preguicinha aqui. Tem animais que inalaram muita fumaça ou estão famintos, porque as áreas de caça foram destruídas pelas queimadas”, explica Elaine, evidenciando as diversas situações enfrentadas pelos animais.
Os filhotes, além dos ferimentos físicos, sofrem emocionalmente pela ausência das mães. A solução encontrada pela equipe do Cetas para minimizar esse sofrimento foi o uso de bichinhos de pelúcia, que proporcionam conforto e segurança aos órfãos. Contudo, o centro enfrenta um desafio: não há brinquedos de pelúcia suficientes para todos os filhotes. “Passamos o dia todo cuidando, alimentando e trocando os panos das caixas. Os bichinhos de pelúcia são trocados uma vez ao dia para garantir um ambiente limpo e saudável”, completa Elaine.
Para continuar oferecendo um acolhimento adequado, o Cetas lançou uma campanha de arrecadação. O centro precisa de itens como bichinhos de pelúcia, lençóis, toalhas, mamadeiras, jornais e tapetes higiênicos. As doações podem ser entregues diretamente no Cetas, que fica ao lado do Parque Chico Mendes, na sede do Ibama em Rio Branco, além das unidades em Brasiléia e Cruzeiro do Sul, na coordenação de medicina veterinária da Ufac e na Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Atualmente, o centro abriga mais de 20 filhotes órfãos, além de animais adultos feridos que também necessitam de cuidados. Porém, apesar dos esforços da equipe, nem todos conseguem sobreviver. “Essa jiboia, esse tatu e essa mucura foram resgatados, mas não resistiram aos ferimentos”, lamenta Elaine.
Mesmo com um número menor de animais encaminhados ao Cetas em comparação ao ano passado, a situação não indica uma redução no impacto das queimadas sobre a fauna. Elaine explica que o fogo está mais intenso e se espalha com mais rapidez, o que dificulta o resgate dos animais a tempo. “As brigadas de incêndio e o Corpo de Bombeiros muitas vezes chegam ao local quando o animal está morto”, conclui.
O trabalho do Cetas é vital para a preservação da fauna silvestre do Acre, mas depende da colaboração da sociedade para continuar salvando vidas e oferecendo o suporte necessário a esses animais vítimas das queimadas.
Matéria produzida pela repórter Débora Ribeiro para a TV Gazeta.
