Quem é o responsável?
Dois casos envolvendo infração de adolescentes nesta semana expõem o drama da falência do poder público. Em várias frentes. O primeiro caso ocorreu no sábado quando uma garota de 17 anos jogou no lixo o filho parido no banheiro do Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O segundo caso aconteceu na comunidade da Colônia São José, no Ramal do Cachoeira, em Tarauacá: uma menina de 14 anos, matou o pai, a quem acusava de estupro. O crime sexual, segundo a versão da garota, já ocorria há dois anos.
Quem é o responsável? II
O cidadão de classe média, classe média alta, ou mesmo da elite acriana, que lê esses episódios pelas redes sociais em celulares de última geração, provavelmente, não se considera responsável por esse cenário. A percepção é de que esses dramas não lhe dizem respeito.
Todos
Uma sociedade que permite que uma menina engravide aos 17 anos; que esconda a gravidez da família; que, em gesto desesperado, jogue o bebê no lixo… uma sociedade que permite que um pai estupre uma filha por dois anos; que permite que filha assassine quem lhe estuprava… essa sociedade está falida. É preciso, urgente, que se repense tudo, em nome da civilidade, da Ética e da Moral (enquanto alguma liberdade ainda resta). Na verdade, as mãos que jogaram a criança no lixo e apertaram o gatilho são mãos de todos. Os gestos são privados, mas a responsabilidade é coletiva.
Torto
Inadequada, inoportuna e beirando o populismo foi a proposta do deputado estadual Nelson Sales que pede redução do ICMS para os combustíveis com o argumento de impactar no preço das passagens de ônibus e garantir manutenção do preço do bilhete para os estudantes.
Torto II
A postura do ilustre desconhecido parlamentar expõe uma falha da oposição: trabalha-se com a lógica de que nunca voltarão ao poder. Vez por outra os parlamentares que fazem oposição ao governador Tião Viana ou ao prefeito Marcus Alexandre apresentam propostas querendo diminuir receitas. Ora, ora, D. Aurora! Diminuir receitas em um cenário como o atual?
Uma pena
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), retirou do texto do projeto que altera d Lei dos Partidos Políticos um trecho que proibia o TSE de punir legendas que descumpriam a legislação eleitoral. Uma pena foi perceber que os deputados federais do Acre se nivelaram por baixo. Lamentável. Maia só recuou diante da repercussão negativa.
De fato
De fato, nenhum partido pode colocar o dedo em riste e exigir postura decente. No caso do Acre, no entanto, esperava-se de alguns raros parlamentares um comportamento diferente.
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Foto de ilustração: Blog do Accioly

