Índices
E lá se vem mais uma edição do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal. De volta, a velha constatação de que os municípios isolados do Acre estão em piores situações. E, mais uma vez, a teimosa Santa Rosa do Purus entre os últimos colocados.
Firjan
Nada contra o estudo da Firjan. Sempre feito com apuro técnico e método.
Justamente
Mas, é justamente esse rigor acadêmico da Firjan que a coluna se arvora a audácia de tratar sobre. A questão não é por em dúvida os motivos que levaram Santa Rosa do Purus a ser o terceiro pior do país. Mas, questionar os critérios de avaliação que observam com a mesma régua Florianópolis e a pequena cidade acriana.
Polêmica
A polêmica não é nova. Já motivou vários debates internos entre técnicos do Governo do Acre e gente do IBGE, FGV, Ipea e tantos outros. Para os economistas, a leitura é cartesiana: há que se ter os mesmos critérios de avaliação e ponto. É o que, na visão deles, permite (com rigor estatístico) estabelecer algum modo de comparação para formulação de políticas públicas nas áreas de Saneamento, Saúde, Educação, Geração de Emprego e Renda.
Dois pesos…
O próprio Governo do Acre tem mudado de postura ao longo dos anos. Sobretudo nesses últimos. Questiona com menor ênfase os critérios que não observam os intangíveis e incontáveis fatores culturais, mas faz a defesa do estudo quando lhe é conveniente. Como no caso da performance da Capital, Rio Branco, que melhorou no desempenho, comparada às edições anteriores.
… uma medida
A defesa da Cultura como fundamento para se avaliar Qualidade de Vida não é muleta para escamotear incompetência de governos (sejam quais forem). É um cuidado que tenta preservar o que há de mais humano em nós. E nem sempre isso guarda relação com o que diz as tabelas e gráficos.
Ora ora, D. Aurora
O técnico mais qualificado da Firjan, ou do Ipea, ou da Fundação João Pinheiro, ou da Fundação João Cabral não tenha dúvidas: no dia que os moradores de Santa Rosa do Purus sentirem ameaças às suas existências, eles fugirão de lá. E com pressa. Parece que é difícil aceitar o fato de que nem todo mundo se sente pleno em um shopping center; em vestir o tênis da moda; em tomar o vinho indicado em sites especializados.
Teimando
A coluna insiste no raciocínio: ninguém teima em viver em um lugar se este lugar o ameaça. Instintivamente, busca-se outro canto.
Mas…
Agora, os problemas de Santa Rosa que os próprios moradores apontam e que o Governo não resolve… aí, sim, tem-se ingerência, incompetência, ineficácia.
Já foi dito
Já foi dito neste espaço: o que incomoda não é o olhar do Sul Maravilha sobre o desgraçado Norte. O que incomoda mesmo é não se perceber o mínimo esforço em compreender (e respeitar) o que há de diverso em nós.
Coisas…
Nunca é demais lembrar ao leitor do site. Uma coisa é “desenvolvimento”. Outra é “crescimento econômico”. Não há nada de inédito nessa discriminação. Mas, às vezes, parece que não se faz a distinção adequada. O que pode turvar o entendimento sobre a coisa e o espírito dela.
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