A primeira edição da coluna do cronista esportivo de Agazeta.Net
Com o objetivo de enriquecer o debate e contribuir para o renascimento do futebol acriano, o site agazeta.net inicia uma nova etapa em seu web jornalismo.
A coluna, por enquanto semanal, entende que a discursão acerca do momento do futebol local deve ser ampla e reflexiva. Isso sem perder de vista os debates acalorados sobre os grandes clubes do país.
Nesta primeira edição, vamos abordar o problema crônico que tomou conta do futebol do Acre e do restante do Brasil: categorias de base. Se fizermos uma rápida análise dos oito clubes que disputam o Campeonato Acreano da Série A veremos que a estrutura destinada à formação de novos talentos é pífia. Praticamente não existe investimento na base que possa dar condições de o Acre revelar outro grande craque do quilate de um Rei Artur, por exemplo.
Qual o grande nome do futebol local revelado em um clube estabelecido nas terras de Galvez? Pois bem, a última joia a sair de nossos gramados foi o goleirão Weverton, hoje goleiro e capitão do Atlético Paranaense.
Revelado pelo então técnico das categorias de base do Atlético Clube Juventus, professor Illimani Suares, o arqueiro ganhou o mundo. O atleta se transferiu para o Corinthians na temporada de 2006, mas sem muitas oportunidades, preferiu buscar outros rumos, passando pelo Clube do Remo, Portuguesa/SP e Botafogo/SP até brilhar no clube rubro-negro paranaense.
Você, leitor, já imaginou se formássemos um atleta desse nível a cada temporada? Quando um clube revela um atleta na base e esse jogador se transfere para o futebol nacional ou internacional, o clube lucra com o jogador a cada nova transferência.
O Rio Branco até um dia desses recebeu, em euro, altas somas pela transferência do atacante Doca Madureira do futebol austríaco para o Galatasaray, da Turquia.
Então, se investir na base é sinônimo de clube forte e formador de craques, por que os dirigentes do esporte acriano continuam a investir em atletas rodados e cheios de vícios a cada temporada?
Tudo gira em torno de montar um time, às pressas, para disputar uma competição que começará dentro em breve. Não existe planejamento a médio e longo prazos.
A última vez que uma agremiação decidiu investir parte de seus recursos na garotada foi o Atlético Acreano. O time tinha no comando o técnico Álvaro Migues, que conseguiu montar uma equipe profissional apenas com atletas recém-tirados da base.
Depois de uma temporada promissora, com vários títulos nas categorias menores, o projeto se desfez. Mas, ficou uma vereda que pode muito bem ser trilhada por todos os clubes que pensam em resgatar o verdadeiro DNA de um futebol que um dia já revelou atletas fora se série como Dadão, Escapulário, Mariceudo, Venícius e tantos outros.
Senildo Melo* – Jornalista, formado em Educação Física pela Universidade Federação do Acre (UFAC), Cronista Esportivo filiado à Associação Brasileira de Cronistas de Esportivos (ABRACE) desde ano 2000.


