Gladson
A coluna esperou. Mas como ninguém falou nada, lá vai. Durante a semana, o governador eleito Gladson Cameli concedeu entrevista na Rádio Difusora Acreana. O tom foi um oitavo acima. O raciocínio de Cameli priorizou a ideia (já rotineira após as eleições) de que quem conduz formação de equipe e quem será responsável pelo futuro governo é ele e mais ninguém.
Espelho
Ora, mas o que está acontecendo? Essa fala do governador eleito não faz sentido. Ao menos, não deveria. Quando, repetidas vezes, Gladson esboça essa ideia não é ao povo que se dirige. Fala diante do espelho: fala para si e também aos que o apoiaram direta ou indiretamente.
Aparência
O povo não precisa ouvir esse tipo de discurso; esse tipo de raciocínio. Diferente do que pode sugerir a um observador apressado, a conduta expõe fragilidade; não fortaleza. Gladson está referendado pelas urnas. Obteve uma vitória incomum. O povo sabe o que quis de um candidato e sabe o que quer do governante. A auto-afirmação da liderança rotineira sugere problemas.
Interesses
Gladson sabe que tem interesse demais a atender e uma máquina estatal fragilizada. É esperado (e isso já é discutido entre os próprios aliados do futuro governante) que a amplitude da aliança não suporte os sacrifícios necessários. A fragilidade da máquina pública é tamanha que ficará difícil atender a todos a contento. Cameli é consciente disso.
Sem contar…
Além disso, Gladson já sabe que ao seu lado há aliados que calculam rápido: elegeram-se agora pensando em disputar o Governo do Acre em 2022. Há outros que querem viabilizar candidaturas para a Prefeitura de Rio Branco: há interesses de toda ordem. Mas uma liderança não se impõe pela palavra apenas.
Gestos e temor
Em Política, os gestos dizem muito. E, lembrando um velho professor florentino, os soldados da linha de frente da batalha precisam temer de tal forma o líder, resguardado pelo batalhão, que se houver o mínimo vacilo em enfrentar o inimigo, o castigo vindo da retaguarda será muito mais dolorido. E fatal.
Em maus lençóis
Senador Sérgio Petecão (PSD/AC) está tendo trabalho para se explicar com parte dos seus eleitores. Nas redes sociais, tenta usar de sofisma para justificar o voto pelo aumento do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Tá difícil
Divulgou até uma “Nota de Esclarecimento” que, na prática, não ilumina o problema de maneira que o eleitorado entenda o voto do parlamentar. Ao contrário: “Votei em você, e já me arrependi” diz um eleitor de Petecão. “Tá tentando justificar o injustificável”, diz outro. E ainda: “Desculpa, senador, mas o senhor está parecendo o juiz Moro, perdoando Caixa 2 de amigo”. Tá difícil para o senador manter aquela imagem de “defensor da voz das ruas”.
Nota
Democraticamente, a coluna publica a nota do senador de maneira que ele se explique e o leitor da coluna possa ter contato do entendimento do parlamentar sobre o assunto. Lá vai!
Amigos e amigas, desde a votação do reajuste do teto salarial dos ministros do STF e Ministério Público, tenho recebido diversas manifestações em razão do meu posicionamento, principalmente por parte daqueles que apoiam o meu trabalho. Por esse motivo, gostaria de fazer alguns esclarecimentos:
1) A fixação de teto salarial é diferente de aumento salarial.
2) Nenhum parlamentar tem o poder de definir o valor do salário de um ministro. Por isso, não cabe ao Congresso aumentar salário de nenhum Juiz. O Congresso apenas define parâmetros, assim como acontece com relação ao salário mínimo.
3) O Poder Judiciário tem orçamento próprio e previsão de gastos estabelecida. Isso quer dizer que a decisão de aumento salarial do Judiciário é responsabilidade exclusiva do presidente do STF e do Presidente da República.
4) Constitucionalmente, o Congresso Nacional tem a obrigação de votar esses parâmetros, seja para o Judiciário, seja para o salário mínimo.
5) A fixação do teto salarial é um instrumento positivo e fundamental para a democracia e equilíbrio das contas públicas. Estabelecer um teto é dizer não para gastos abusivos e que venham desequilibrar os cofres. É impedir que o salário de ministros extrapole a previsão orçamentária. Fizemos assim com o teto de gastos para o governo federal, impedindo-o de gastar mais do que arrecada.
6) Não fosse um teto, um limitador, uma barreira, os gastos governamentais, ou salariais, como é o caso, poderiam ser definidos aleatoriamente e irresponsavelmente.
7) Por último, é saudável para a democracia que o cidadão acompanhe e cobre a classe política. Feito este esclarecimento, gostaria que tivessem a certeza de que nenhuma decisão antidemocrática ou em desfavor da população terá espaço ao longo do meu mandato.
Senador Sérgio Petecão
Avalie
Aí, o (e)leitor avalia.
Sugestões, críticas e informações quentinhasdaredacao2@gmail.com

