Arrego
O prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderley Cordeiro (MDB), está com tanto medo de ter o mandato cassado que foi pedir ajuda ao governador Tião Viana (PT). Ilderley pediu que o governador “segure” o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) para que ele possa completar o mandato.
Detalhes
Os detalhes dessa história do prefeito de Cruzeiro do Sul mostram bem o nível em que chegou a política no Acre. O processo que Ilderley responde foi movido pelo Major Rocha (PSDB) que agora sobe no mesmo palanque de Ilderley. Por outro lado, Vagner Sales (MDB), que fez a defesa e até ajudou a “convencer” os eleitores a eleger Ilderley, prefere ver o cão a encontrar com o prefeito.
Detalhes II
Por outro lado, o pedido do prefeito joga a independência dos poderes direto na lata do lixo. O leitor poderia explicar se não é o cúmulo do desespero, um ex-deputado federal pedir a um governador para interferir em decisões do Tribunal Eleitoral?
Nova eleição
Cruzeiro do Sul já vive em clima de nova eleição. A cassação do mandato de Ilderley Cordeiro é dada como certa e a população se prepara para eleger o próximo que ficará no poder por apenas dois anos.
Aposta errada
Quem mais se deu mal nesse enredo político grotesco, foi o vice, Zequinha Lima, que saiu do PCdoB, partido no qual militou a vida inteira, seduzido pelas promessas da dupla Vagner/ Ilderley e agora vê o nome arrastado na lama, sem a menor chance de retornar ao antigo ninho e possivelmente inelegível por um bom par de anos.
Sumiu
O deputado Heitor Júnior desapareceu da Assembleia Legislativa. O parlamentar que foi praticamente expulso do PDT chegou ao PODEMOS aprontando. Logo depois de obter o consentimento de Raimundinho da Saúde para ingressar no partido, correu à Brasília com o objetivo de tomar a presidência do partido no Acre. Não conseguiu o intento, mas retornou como líder do PODEMOS na Assembleia Legislativa. Ou seja, mordeu a mão que o acolheu. Raimundinho era o líder do partido.
Caiu
Fonte palaciana garante que o governador Tião Viana se deu conta que sua campanha contra Ney Amorim (PT) poderia levar à vitória dos dois candidatos da oposição. Tião decidiu mudar de estratégia e chamou Ney para uma conversa. Só se saberá se o resultado dessa conversa foi positivo se Tião desistir da viagem ao Japão.
Alívio
A assessoria de Ney Amorim já respira por antecedência, o alívio de poder divulgar a agenda de Ney, sem que o governador pegue a mala que já fica sempre arrumada e parta para o exterior.
Sonso
Tem um deputado na Assembleia Legislativa que só tem cara de santo. Ele faz a defesa do Governo do Estado, mas nas reuniões secretas não poupa o latim. Na história dos bastidores da política, consta que o mais temido assessor do governo conheceu a força do parlamentar em 2016. Juram que os murros estão fazendo efeito até hoje. Mazinho Serafim (MDB) parece que não foi o único.
Excesso
Para atender a todos os pedidos de partidos e lideranças, o governo se viu obrigado a criar um número absurdamente alto de cargos comissionados. Quando a verba começou a diminuir, partiram para um tal de CCI (Cargo de Comissão Interna), cujo valor é de um salário mínimo. São milhares de acrianos que atendem pelo pomposo status de CCI.
Farinha
Relatório da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social aborda o problema do Trabalho Infantil nas casas de farinha. Especificamente na região do Vale do Juruá. A amostragem do trabalho diz respeito diretamente a 446 famílias. Nelas, 858 crianças trabalhavam na cadeia produtiva da macaxeira. Desse total de crianças, 617 estavam em situação de vulnerabilidade social e econômica: trabalhavam com regularidade em detrimento do estudo e lazer.
Problema?
A situação não é simples de ser avaliada. É preciso desconstruir a imagem urbana que se tem sobre Trabalho Infantil. É preciso perceber o contexto em que essas crianças estão; o cenário de alta incidência de criminalidade/vulnerabilidade em função do tráfico de drogas; a cadeia produtiva da macaxeira como parte da Cultura do povo, como expressão do povo.
Injustiça
Onde está o problema, então? O problema está na falta de acesso à formação do indivíduo que inclua a cadeia produtiva da macaxeira como um dos elementos na vida da criança e não o único. E é bom atentar para o termo usado: não se falou aqui em “Educação” estritamente, ou em “acesso à escola” estritamente. Nenhum governo vai conseguir resolver esse problema se não for incluída, apreendida a concepção de Cultura na formação das crianças. Se não ocorrer isso, mesmo que se construa uma escola a cada curva de rio, a situação não muda.
Qual Escola?
Para resolver essa situação, é necessário “escola”? É mesmo? Mas, qual escola dialoga com essa realidade? Essas “padrão”, que estão nas periferias das cidades? É esse tipo de escola? Ampliando a pergunta: que tipo de Educação mudaria essa realidade? Ampliando mais ainda: que tipo de formação compreenderia esse processo?
Exclusão
Ali na região do Juruá há uma das maiores concentrações de famílias pobres do Acre. Das 446 famílias entrevistadas, mais de 90% são beneficiadas por programas federais de transferência de renda.
Mérito
A situação é, vez por outra, abordada por agentes públicos. O relatório da Seds tem o mérito em abrir para o debate. É parte de um esforço para que o próprio poder público tome medidas efetivas. Esse é o gargalo: a ineficácia das políticas públicas. Os pais do relatório de hoje já foram “filhos” em outros relatórios. É um ciclo, por enquanto, sem fim.
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