Descontrole
Cruzeiro do Sul dormiu crivada por balas. O trabalho de cerca de 100 policiais civis e militares fez com que 85 pontos de tiro fossem registrados na noite de quarta (30). Há relatos de que os criminosos ligados às facções tenham uma AK-47. A casa de um policial militar foi completamente destruída e em três casas de agentes penitenciários foi tentado o incêndio. O cenário é de guerra.
Sem surpresas
O Governo do Acre não foi surpreendido. O governador Tião Viana até já tinha adiantado que haveria essa “interiorização” das forças de Segurança Pública em função da migração do crime para as cidades do interior. E nenhuma melhor que Cruzeiro.
Cruzeiro
Uma cidade com alguma rede de serviços à disposição, em fronteira aberta com o Peru e ponto estratégico para o tráfico fluvial para o Amazonas. É a “menina dos olhos” para o tráfico. Compõe uma rota já identificada pela Polícia Federal e pelo Exército.
O que falta?
Falta uma decisão política de efetivamente se investir em segurança das fronteiras. O Exército é uma instituição importante demais para o Acre para ser o que atualmente é. A responsabilidade não pode recair aos atuais comandantes dos batalhões. Aqui, eles apenas executam determinações já definidas em Brasília. Os melhores quarteis, os melhores quadros, a melhor infraestrutura de comunicação deveria estar em estados de fronteira. Não em Brasília ou Rio de Janeiro. Isso já foi falado aqui neste espaço.
85
O resultado dessa ausência do Governo Federal, associado aos problemas de gestão do Estado do Acre, é descontrole. Um exemplo: ano passado, 85 agentes penitenciários foram expulsos das casas onde moram por integrantes de facção criminosa. Só em Rio Branco. É pânico total. Em junho, completa-se 10 anos da criação do Iapen e da função de agentes penitenciários do Acre. Em 10 anos, 7 agentes foram assassinados devido à função que exerciam no sistema de Segurança Pública.
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Foto de ilustração: O Alto Acre

