Por quê?
Por que o acriano, normalmente, se sente tão distante de polêmicas como esta que trazem luz ao debate sobre o período da Ditadura Militar no Brasil? O trabalho do professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor mostra como o extermínio de opositores ao regime fez parte de uma política de Estado. Um Estado de exceção, claro. Uma ditadura militar.
Por quê? II
O assunto está sendo noticiado pelos grandes veículos de comunicação. Não há muito que um modesto site possa acrescentar. Mas, o que intriga a coluna é o certo “distanciamento” que o acriano tem com esses temas. Nas conversas em bares, universidades, comércios, lojas, calçadas… quem se arrisca a falar sobre o assunto é recebido com algum estranhamento.
E…
E não é aquele estranhamento de alienados, que não toleram temas diferentes da rotina dos “realitys shows” ou a última peripécia de Cristiano Ronaldo. Não se trata disso. A impressão faz referência ao assunto “Ditadura Militar” em si. É uma impressão que enxerga um perigo: de uma comunidade que, não querendo falar sobre o passado, acabe por repeti-lo. Em se tratando de uma ditadura militar, mesmo que se repita como farsa, provoca sofrimento e corrupções de toda ordem.
Armadilha
Tanto as turmas de Marcus Alexandre quanto o pessoal de Gladson Cameli já compreenderam que a disputa eleitoral passa, necessariamente por uma guerra de Comunicação. Nesse início de pré-campanha, a tropa do petista tem ganhado em exposição. São dezenas de fotos diárias, seguidas de textos que falam de esperança, superação, carinho, respeito e até humildade e outras subjetividades muito acionadas nessas épocas de campanha eleitoral em terra empobrecida de dinheiro e de ideias.
Riscos
Mas, quem muito se expõe se oferece aos riscos. E eis que houve uma sutil armadilha no meio da estrada onde se pôs o pé.
Flagra
De Sena Madureira veio uma imagem. Inesperada. Um flagrante produzido pelo pré-candidato, fotografado, editado e divulgado pela equipe oficial. A casa é de tijolo sem reboco. O registro de energia elétrica ainda é dos antigos, de cor cinza, amarrado por um fio para proteger o único disjuntor que garante luz ao lugar onde moram, pelo menos, quatro pessoas.
Vergonha
Os detalhes da cena servem para falar justamente dessas quatro pessoas. Pela imagem, vê-se que há uma mulher. Não se vê o rosto dela. Está encoberto pelo gigantismo do candidato, robusto, saudável, engenheiro. Junto à mulher, três crianças. Uma é acariciada pelo salvador. As outras duas… o olhar das outras duas crianças deveria envergonhar todo gestor público do Acre desta e de gerações outras.
Esperança?
Não há esperança naqueles dois jovens olhares. O que fazer com aqueles olhares? Eles deveriam incomodar a quem lhes importuna com renovações de compromissos, evidentemente não cumpridos.
Ufac
A Ufac é uma espécie de síntese do que tem ocorrido no Acre nos últimos 20 anos. Tem de tudo naquele lugar. A tentativa de cassação de uma das chapas que se candidatou à reitoria foi frustrada. Depois de quatro horas de discussão acalorada, aceitou-se o recurso da chapa ameaçada e os dois grupos “vão para o voto”.
Barbeiragem
A barbeiragem política travestida de respeito a resoluções de regimento causou um desconforto muito grande. Há quem não se sinta representada por nenhuma das chapas. E os embates travados pela tentativa de cassação só piorou. O clima está pior na nossa Universidade Federal do Acre.
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Foto de ilustração: Assessoria de Imprensa

