Ramais
Reunião entre bancada federal e prefeitos na Amac não será fácil. O encontro tende a descambar para a politização com o Governo do Acre no papel de carrasco. Ainda em pauta a questão dos ramais.
Esmiuçando
O governador Tião Viana tentou fazer com que a direção da Caixa Econômica aqui no Acre compreendesse a situação. Técnicos da Caixa se reuniram com os gestores do Deracre. Mas, não houve entendimento: a Caixa, que é a contratada pelos ministérios para gerir os convênios, não abre mão de que o Governo do Estado realize obras de infraestrutura nos ramais: bueiros, pontes.
Esmiuçando II
Não é uma exigência despretensiosa. A Caixa obedece ao que prevê a Lei Orçamentária com o objetivo de melhorar a eficácia da aplicação dos recursos. O raciocínio é simples: a obra feita pelo poder público nos ramais não pode se limitar a fazer as raspagens e jogar piçarras para que tudo seja necessário refazer antes do inverno seguinte. Isso está errado? Não. Claro que não.
Mas…
Mas, conhecendo o histórico de obras do Governo Federal Brasil afora, é de se desconfiar essa exigência toda com o Governo do Acre.
Bom…
Bom, o resultado disso colocando em números é o seguinte. O Governo do Acre diz que se a Caixa não exigir as obras de infraestrutura nos ramais e for mantida a contrapartida de R$ 94,8 mil (0,1% dos R$ 94 milhões previstos no Orçamento) é possível beneficiar até 4 mil quilômetros de ramais.
Diferença
Ocorre que a Caixa tem outro cálculo. Quer as obras de infra nos ramais. Isso exigiria do Governo do Acre uma contrapartida de R$ 14,87 milhões o que reduz a capacidade operacional para 1,5 mil quilômetros beneficiados.
“Razoabilidade”
A tentativa do governador de que os técnicos daqui se entendessem não deu certo. Então, foi ele mesmo à Brasília nesta quarta-feira (25) na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Usou o termo “razoabilidade” para tentar sensibilizar quem não está nem um pouco afeito a isto. Aliás, falar em “razoabilidade” em Brasília em épocas atuais expõe uma espécie de desespero. Mas, o governador age correto.
Saudades
Tião Viana sente, na rotina da gestão, o peso de fazer oposição ao Governo Federal. É evidente que o argumento técnico da Caixa é quase irrefutável. Mas, em Brasília, o argumento técnico é usado estrategicamente. Usa-se quando é conveniente. Para Tião, o tom e o tratamento eram outros quando eram outros os ocupantes do Planalto.
Resultado
O resultado disso tudo é que os produtores rurais podem começar a rezar. Mas, rezar muito. Rezar “de com força”. É grande a possibilidade de que esses recursos para melhoramento de ramais não tenham como ser aplicados este ano. Na reunião da Amac, no dia 4, os prefeitos devem receber um tijolo no ouvido: melhoramento de ramais só em 2019.
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