Empresário se defende e diz que vai esclarecer os fatos
Alunos de um curso particular de formação de Bombeiro Civil denunciam que o proprietário da empresa teria apresentado diploma falso para conseguir atuar no Estado. O Corpo de Bombeiros também investiga o caso e, por precaução, suspendeu o credenciamento da empresa. Nossa equipe ouviu também o empresário denunciado que rebate as acusações e alega que um dos denunciantes tem interesse em abrir outra empresa, concorrendo com a dele.
Um grupo de pessoas ingressou em uma escola de formação de Bombeiro Civil que tem abrangência em Rio Branco, Acrelândia, Plácido de Castro, Capixaba e Feijó. Os certificados, segundo eles, não valem de nada, por que o proprietário da empresa que ministra o curso, não é Bombeiro Civil, e teria conseguido autorização do Corpo de Bombeiros, apresentando um diploma falso.
Cerca de 200 pessoas, de acordo com os denunciantes, fizeram o curso entre os anos de 2014 e 2016. Sydnei Camurça ingressou na escola em 2015, e afirma que pediu o certificado do proprietário da Life Acre.
“Eu entrei em contato lá em São Paulo, e a pessoa responsável pela escola me mandou uma declaração, e o certificado da escola também, dizendo que o rapaz jamais esteve na escola, afirmaram que isso é uma fraude e que iam entrar com ação contra seu Almerito”.
Sydnei trabalha como guarda vidas no clube dos oficiais do Acre e também incentivou pessoas a participarem do curso de formação de Bombeiro Civil. “Eu me sinto prejudicado, não financeiramente, isso pra mim não interessa, mas meu nome, meu caráter, a confiança que as pessoas tem em mim. Então eu quero justiça, e que ele pague o que tá devendo”, disse ele.
Weverton descobriu que o curso poderia ser inválido, quando amigos começaram a procurar emprego. “Foi informado pelo Coronel do Corpo de Bombeiros que o nosso certificado não tinha validade por que a empresa não era credenciada e que não tinha instrutor credenciado junto à empresa Life Acre”, disse.
No ano passado, uma portaria regulamentou o credenciamento de empresas no Acre para formação de Bombeiro Civil. Até então, esse setor não tinha uma normatização. Foi nesse momento que a Life Acre apresentou a documentação e a autorização para formar seus alunos.
O Corpo de Bombeiros, agora vai investigar se a documentação entregue é falsa ou não.
“O procedimento administrativo está aberto. Nós suspendemos o credenciamento dele e da empresa dele até que a gente apure os fatos, encaminhe ao Ministério Público.” Explicou o comandante geral do Corpo de Bombeiros, Coronel Roney Cunha.
O outro lado
Almerito Bandeira de Melo é acreano e desde 2008 trabalha como brigadista. Em 2015 abriu a Life Acre que oferece cursos de formação de Bombeiro Civil, brigada de incêndio, primeiros socorros, entre outros. De acordo com ele, quem ministra os cursos é um bombeiro militar aposentado e Almerito administra a escola. Ou seja, aparentemente os alunos não sofreram prejuízo em relação ao conteúdo ministrado. A questão é apenas de autorização das instituições competentes.
O empresário afirma ainda, que trabalhou numa empresa de segurança de Rondônia e lá foi encaminhado para um curso de capacitação, onde recebeu o certificado da ABCESP (Academia de Bombeiro Civil de São Paulo), que acreditava ser válido. “Eu fui lesado no ano de 2009, que justamente quando peguei certificado de uma suposta empresa que forneceu esse certificado pra nós e de lá pra cá trabalhei normal”, explica.
Segundo o empresário, nos próximos dias ele viaja para São Paulo, para regularizar sua situação. “Eu não falsifiquei o certificado e entrei em contato com a empresa, vou na instituição ABECESP pra esclarecer, levando o certificado. Vou aproveitar a viagem pra fazer um curso e uma reciclagem pela ABECESP mesmo.”
Alegando inocência e que vai esclarecer todas as dúvidas, o empresário faz ainda um alerta. As denúncias que pesam contra ele, podem ter uma motivação oportunista. “Essa pessoa trabalhava conosco e está abrindo uma escola de formação de Bombeiro Civil no estado, e por esse motivo, está querendo nos derrubar”, afirma.


