80 presos não dormiram no complexo penitenciário
Um detento que não quis se identificar informou que estava marcado para a noite dessa quinta-feira mais um ataque ao presídio da Papudinha, onde ficam mais de 300 presos do regime semiaberto.
Havia até a ameaça de bombas. Por isso, 80 detentos não foram dormir no complexo. A direção do Iapen informou que enviou a lista dos faltosos para a vara de execuções penais que vai cobrar explicações daqueles que quebraram as regras do benefício.
O diretor presidente do Iapen, Martim Hessel, relatou que desconhece o motivo para a falta em massa e não foi informado se haveria um novo ataque de facções. “Algo ocorreu, mas não sei precisar o que houve. Agora cabe à polícia investigar se estava marcada alguma ação de facções. Quanto aos presos, vão ter que se explicar na Justiça porque deixaram de pernoitar na papudinha”, disse.
Na mesma noite em que os 80 presos do semiaberto faltaram, um ônibus foi incendiado quando estava na parada final do bairro Recanto dos Buritis. Segundo moradores, já passava das 2 horas da manhã quando vândalos chegaram e jogaram bombas caseiras.
Logo as chamas se espalharam. Quando o Corpo de Bombeiros chegou nada pode fazer para evitar a perda total do veículo.
O ataque ao coletivo pode ser uma represália à Operação Hydra, da Polícia Federal, que na manhã de quinta-feira prendeu 50 pessoas acusadas de fazerem parte de facções criminosas.
O secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias, disse que não existe risco de novos ataques e não há represálias quanto à operação da Polícia Federal, o incêndio ao ônibus foi ação de um grupo isolado que logo será identificado e preso.
“Não vejo ligação do incêndio com a operação contra as facções. As lideranças na época dos ataques, em outubro, pediram que não queimassem ônibus. Por isso, não faço essa ligação. Nesse caso, foram vândalos e logos vamos encontrá-los”, alertou.
O coordenador de Policiamento Ostensivo, coronel Ulisses, informou que o incêndio pode, sim, ter sido uma resposta às prisões de membros de facções. Mas, ressaltou que não há motivo para a população ter medo, “pois a polícia está monitorando os líderes dessas organizações criminosas”.


