Assassinato expõe falta de preparo psicológico
Uma discussão banal terminou em tragédia dentro do Quartel Geral da Polícia Militar do Acre na tarde desta quinta-feira. O subtenente Adelmo matou, com um tiro de pistola Ponto 40, o 2º sargento Paulo Andrade. O tiro foi dado nas costas, sem chances de defesa.
O local do crime foi o Quartel Geral da Polícia Militar do Estado do Acre, localizado no centro de Rio Branco. A discussão entre os dois policiais ocorreu porque o subtenente Adelmo chegou atrasado ao serviço. Paulo Andrade chamou atenção de Adelmo.
O sargento, responsável pelo acautelamento de arma (cessão de armas aos policiais), disse ao subtenente que iria ter que registrar o atraso do colega.
Quando se virou e ficou de costas para Adelmo, o sargento Paulo Andrade recebeu o tiro da pistola Ponto 40. Uma equipe do Samu foi acionada para prestar socorro.
O subtenente foi imediatamente preso pelos outros colegas e levado para o quartel do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). O subtenente Adelmo estava na reserva e foi chamado para reforçar a tropa no combate à violência protagonizada por facções criminosas nos últimos meses no Acre.
O episódio expõe a falta de preparo psicológico de muitos policiais que, armados, tentam garantir segurança à população. A intensa carga horária, as “dobras” de turnos, as críticas, as cobranças impõem à caserna uma rotina difícil em uma tropa que trabalha no limite.
Na presença das equipes de AGazeta.Net e TV Gazeta foram vários relatos de policiais da ativa (sem identificação) questionando a falta de avaliações psicológicas regulares. “No caso do Adelmo, não aconteceu essa avaliação em nenhum momento”, disseram.
O comandante da Polícia Militar do Acre minimizou a tragédia. “Infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece na história das polícias, da corporação tanto do Acre quanto de outras”, justificou. “Trata-se de um crime militar e será apurado pela auditoria militar”. Adelmo, além de perder a aposentadoria, pode ser expulso da corporação.


