HUERB volta a centralizar atendimentos do Estado
Até dois meses de espera. Esse é o tempo que alguns pacientes aguardam no Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco, por uma cirurgia do coração. Nossa reportagem mostra agora alguns desses casos, que revelam a precariedade no atendimento a pacientes cardíacos no Acre.
O desespero levou uma paciente do Pronto Socorro de Rio Branco, a registrar em vídeo, apelo pela cirurgia do coração que aguarda há cerca de um mês. Do leito do PS, Maiene de Moura Silva, 32, mãe de dois filhos, faz o relato.
“O que a gente sabe é que os médicos não vêm fazer a cirurgia porque não estão pagando. Numa semana disseram que o governo tinha liberado o dinheiro. A gente se enche de alegria, e depois o próprio doutor disse que não tinham liberado e ele não iria fazer cirurgia nenhuma. E a gente fica assim, jogado nesse hospital”, disse.
Do lado de fora do Pronto Socorro, a sobrinha da paciente, Kathllen Silva, explica que a família veio de Cruzeiro do Sul e aguardou por 8 meses outra cirurgia, a do filho de Maiene.
O garotinho, de apenas 1 ano de idade, precisava passar por procedimento de correção de má formação genética na uretra, o que não aconteceu nesse tempo. O caso da mãe se agravou e ela foi parar no Pronto Socorro.
“Ela teve um princípio de AVC aguardando atendimento aqui no Pronto Socorro. Teve que ser internada e já está com um mês que a gente está esperando essa cirurgia. Dizem que não tem verba pra pagar as cirurgias”, afirma Katllen.
O caso da tia da Kathllen não é uma situação isolada. Outras famílias denunciam que seus parentes estão aguardando cirurgia a muito tempo. Elas afirmam ainda que na mesma ala em que os familiares estão, existem mais duas pessoas com a mesma dificuldade.
“Meu irmão infartou e teve que ser internado com urgência. O médico disse que tinha que por ponte de safena e está na espera há 35 dias e nenhum resultado sobre cirurgia”, disse Nivalda Moura.
O marido de Samara Costa também sofre com problemas cardíacos e a família vive a angústia da espera. “Ele teve um infarto no dia 7 de setembro, fez cateterismo e foi diagnosticado que precisava fazer cirurgia peito aberto. No dia 26 foi internado novamente e hoje faz 31 dias que a gente tá aqui ocupando leito. Minhas filhas em casa, quando na realidade poderíamos estar em casa, resolvido essas questões, mas infelizmente a solução não vem. De uma semana ta sempre passando pra outra”, lamenta.
Depois que nossa equipe saiu do Pronto Socorro, chegou até nós um vídeo de outros pacientes internados que fazem apelo ao governo, para que garanta as cirurgias, atualizando os pagamentos dos médicos. Emocionado, um dos pacientes, afirma que está aguardando cirurgia cardíaca há quase 2 meses.
“Eu sou Aldemir, tenho 54 anos, vim de Cruzeiro do Sul pra fazer essa cirurgia e ta na constituinte que todo Brasileiro tem direito a saúde e aqui não tá acontecendo isso. Tá com 56 dias que espero e nada”, afirma o paciente no vídeo.
Outra situação que revela a precariedade no atendimento aos pacientes cardíacos é que as famílias estão comprando remédios que estão em falta no Pronto Socorro.
O apelo por saúde é feito por pessoas diferentes, mas que sofrem juntas a dor de ver seus familiares num leito de hospital, sem previsão de quando o direito à saúde será garantido.
A direção do Hospital de Urgência e Emergência foi procurada, mas não quis dar nenhuma explicação sobre os problemas relatados pelas famílias.


