Alunos e professores têm uma lógica: recomeço
Os estudantes da escola Dr. Carlos Vasconcelos (no bairro Triangulo), incendiada durante um ataque criminoso da semana passada, tiveram que ser remanejados para que não tivessem o ano letivo comprometido. Metade deles foi levada à escola Lourival Pinho. A outra metade à escola Terezinha Miguéis (no bairro Cida de Nova).
A escola Lourival Pinho, que fica no bairro Triangulo, tem 16 salas de aula e 680 alunos. Eles estão matriculados para o período da manhã, 200 alunos da Vasconcelos foram levados ao LP, com um total de 780 alunos na escola.
Para acomodar todos os estudantes, foram improvisadas salas de aula no auditório, biblioteca e sala de vídeo. “Temos dois blocos. Vieram cinco turmas da Doutor Carlos Vasconcelos para um desses blocos e algumas turmas nossas ficaram juntas, para isso usamos espaços alternativos”, explicou a coordenadora de ensino da escola Lourival Pinho, Celutina Ferraz.
Já a coordenadora de ensino da escola Dr. Carlos Vasconcelos, Mirtes Pinheiro, diz que a preocupação é garantir o encerramento do ano letivo. “Nós temos que nos preocupar primeiramente com o ano letivo e isso está garantido. Temos já uma promessa de reforma para garantir o próximo ano letivo, mas a prioridade no momento é terminar este ano”.
Sérgio Queiroga, do 9º ano, é um dos estudantes que tiveram que mudar de escola. O jovem de 15 anos falou como se sentiu em relação à mudança. “É muito triste a gente vir para um colégio que não é o nosso. Sair de uma escola boa para uma que não é a nossa, apesar de termos sido recebidos bem, tem alguns pessoas que ficam criticando”.
A aluna Dalva de Oliveira, 14, compartilha do mesmo sentimento do colega de classe. “Viemos pra cá, um ambiente que não é nosso. Fomos bem recebidos, mas muita gente critica porque a gente saiu de lá, porque nossa escola foi queimada e estamos num ambiente que não é nosso. Ninguém gostaria de ter a escola queimada, isso foi péssimo”.
Assim como os alunos, os professores também tiveram que passar pela adaptação. Edvaldo Lima, que dá aula de História para o 8º ano, fala em recomeçar. “A situação é de recomeço porque estávamos acomodados, tivemos que sair da nossa ‘casa’, outro ambiente diferente, onde tanto a direção, coordenação, a gestão, alunos e professores estão ainda nesse primeiro dia de aula se acomodando com o novo”.
O professor de Biologia da escola Lourival Pinho, Vanderson Sobrinho, teve que se adaptar a outra situação, dar aula para uma turma com 80 alunos, já que duas turmas do 3º ano do Ensino Médio tiveram que se juntar.
“Essas turmas que foram unidas são do terceiro ano, então eles já estão com o foco bem definido para o Enem, o que facilita dá muito trabalho não”.
Mais problemas
Neste primeiro dia de aula, após o ataque a escola Dr. Carlos Vasconcelos, a direção teve que improvisar e usar a merenda que seria dos estudantes da noite para dar conta de alimentar os alunos da manhã. Apesar dos contratempos, as coordenadoras das duas escolas disseram que o problema seria resolvido ainda hoje.
Outro problema que surgiu com a vinda dos novos alunos foi a do calor, como algumas salas estão com o dobro de alunos o ambiente ficou ainda mais quente e algumas dessas salas estão com ar-condicionado quebrado. Celutina Ferraz disse que a Secretaria de Educação se prontificou em resolver o problema para não prejudicar os estudantes.


