Direção se precaveu pela integridade das crianças
Escolas da Cidade do Povo suspendem aulas por medo de possíveis ataques criminosos. No local impera a lei do silêncio, mas nossa equipe constatou que as escolas ficaram fechadas nesta quarta-feira como forma de prevenção e proteção aos estudantes.
O dia no novo bairro de Rio Branco, Cidade do Povo foi diferente nesta quarta-feira (19). A maioria das crianças e adolescentes ficou em casa e as escolas ficaram fechadas. Em duas das três unidades de ensino do complexo habitacional dispensaram os alunos já no período da manhã, por volta das 9 horas.
Segundo a coordenadora da escola de ensino fundamental Frei André Maria Ficarelli, a medida foi tomada para prevenir possíveis ataques criminosos. “Devido a onda de violência, os diretores e coordenação acharam melhor privar a integridade dos nossos alunos, por medida de segurança.
Esta foi a única escola que funcionou nesta quarta-feira, no período da manhã e tarde aqui na Cidade do Povo. Nossa equipe entrou na unidade de ensino e o diretor disse que não autorizava o registro de imagens. Disse que algumas salas de aula estavam com poucos alunos, em virtude de provas de recuperação. Ele alegou que se registrássemos imagens ficaria a impressão de que os alunos não foram à escola por que estavam com medo.
O diretor ficou preocupado com a presença da câmera e questionou os motivos da reportagem.
Mas na escola ao lado, a coordenadora de ensino do local onde estudam mais de mil alunos explicou com coerência que a melhor medida para garantir a segurança dos alunos foi suspender as aulas. “O nosso temor é devido a grande quantidade de alunos que nós temos. De repente uma invasão na escola seria, enfim, a nossa obrigação é preservar a integridade dos alunos e a melhor solução é que fiquem em casa até a gente ver o andar da situação”, completou.
Falamos com pais de alunos, mas nenhum quis gravar entrevista. Os filhos chegaram contando sobre supostas ameaças de ataques incendiários às escolas. O medo é sempre um obstáculo para obter qualquer informação na Cidade do Povo. As pessoas falam com a imprensa, mas quando pedimos autorização pra gravar, ninguém se prontifica.


