Policiais agridem jovens na periferia de Rio Branco
Vídeo registra abuso de autoridade de policiais militares em bairro da periferia de Rio Branco. Os jovens que foram agredidos quebraram o silêncio para cobrar que o caso seja investigado.
As imagens foram registradas no início da madrugada de segunda-feira, mas só agora os envolvidos na ocorrência resolveram se manifestar. O jovem escorado no muro e mexendo no celular é Fabrício Lessa de 21 anos de idade.
Ele espera a namorada que se aproxima com um mototaxi. O posicionamento da câmera não mostra isso. Em seguida, inicia um diálogo entre ele e policiais que estão na rua, e exibem armas. Um deles se aproxima e dá um tapa em Fabrício.
Algumas pessoas passam pelo local e não interferem. Pouco depois um morador sai de casa e cruza a rua. Ao se aproximar, ele é empurrado por um policial e inicia a confusão.
O nome dele é Luciano Nogueira, amigo de Fabrício. Luciano é agredido com um soco e revida. A partir daí, outro policial entra no confronto e bate com cacetete. Luciano recebe vários chutes no rosto.
O terceiro policial não reage. Vizinhos interferem e tentaram tirar o rapaz do local, mas ele cai em cima de uma jovem. Luciano demora a se levantar, até que é levado pra casa.
Fabrício relata que a confusão começou quando ele questionou os policiais sobre a necessidade do armamento que usavam. “A gente tinha vindo de um aniversário e minha namorada tinha esquecido a bolsa no aniversário. Quando ela vinha chegando de mototaxi eles apontaram a arma pra ela, aí eu cheguei e falei que não precisava disso. Daí eles jogaram spray de pimenta e me deram o tapa”, afirma.
Após a ocorrência, Fabrício e Luciano foram conduzidos a Delegacia de Flagrantes.
Algumas horas depois o delegado liberou os dois. “Eles disseram que foram ameaçados por nós. Na verdade eu nem sabia porque tava preso”, disse Fabricio.
Luciano ficou com o rosto ensanguentado e guardou a foto para anexar ao processo que pretende mover contra os policiais. Ele explica que foi agredido por que avisou que a agressão contra Fabricio havia sido gravada em vídeo.
O pai de Fabrício também quer esclarecimentos sobre a ação policial. Ele acredita que houve abuso de autoridade. “Acredito muito no meu filho. É uma pessoa calma, trabalhadora, me ajuda aqui todos os dias. Eu acredito que ele não tem nada a ver com aquilo ali. Um tapa no pé do ouvido sem falar nada, spray de pimenta, de um policial, onde a gente trabalha aqui pra pagar o salário deles”, questiona o comerciante Francisco Lessa.
Fabrício trabalha com seu Francisco em uma loja de plantas medicinais no centro de Rio Branco. O jovem já concluiu o Ensino Médio e não tem passagem pela polícia. “Isso tem que ser apurado, tem que ser esclarecido por que não pode acontecer”, disse Francisco.
A Polícia Militar, por enquanto, não vai se pronunciar. Segundo a assessoria de comunicação, uma sindicância será aberta pra apurar o caso. Quando ela for concluída, aí a polícia vai se manifestar.
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