Distúrbio é debatido entre especialistas do Acre
A automutilação entre adolescentes aumentou e preocupa autoridades de saúde. No Rio de Janeiro, por exemplo, psiquiatras já falam de epidemia. Para diminuir o sofrimento emocional ou psicológico, muitos adolescentes encontram na automutilação um refúgio, mas a repetição desse comportamento pode levar ao suicídio.
No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, ocorrido neste sábado (10), Rio Branco encerrou um ciclo de palestras que discutiu o tema. A faixa etária entre 15 e 19 anos registrou o maior aumento de mortes nos últimos anos e isso tem colocado as autoridades de saúde em alerta.
A automutilação segundo o psicólogo e professor universitário Marck Torres é um caminho que muitos adolescentes têm tomado e pode ser sem volta. Quando a frequência de cortes no corpo aumenta, significa um risco maior para um atentado contra a própria vida.
“Geralmente o adolescente automutila partes onde as pessoas não vejam. Aí eles usam camisas de manga comprida, jaquetas, algo para cobrir. Geralmente é algo mais escondido e quanto mais sofrimento é escondido, o risco de suicídio acontece quando há mais repetição de automutilação”, explica Torres.
No Rio de Janeiro o cenário da automutilação em jovens é tão grave que psiquiatras já falam em “epidemia”. Os pais na maioria dos casos não percebem que os filhos têm se cortado com canivetes, lâminas de barbear e até Lâminas de apontadores de lápis.
No Acre, ainda não existe estatística sobre automutilação, mas a demanda é grande, explica a psicóloga Josiane Furtado. “A procura é grande de pais e diretores de escola que nos procuram pra pedir orientações pra saber o que fazer. As mutilações comuns são cortes nos braços, barriga e coxas”, explica.
Segundo especialistas, lares desfeitos, aumento do abuso de drogas, alcoolismo e supervalorização das coisas materiais são alguns dos fatores que levam os jovens ao suicídio. Eles ficam intolerantes às frustrações e diante delas, acabam optando por tirar a própria vida.
“Precisamos acolher, por que às vezes o problema vai além do adolescente então precisamos acolher a família fazer a escuta pra saber onde encaminhar o adolescente e a família”, afirma a psicóloga.


