Oshiro: prioridade em observar a estrutura da maternidade
As famílias que entraram com ações judiciais de reparação de danos contra o Estado, por causa da morte de bebês na maternidade Barbara Heliodora, vão ter uma prova a seu favor: basta conseguir os relatórios do Denasus, o Departamento Nacional de auditorias do sistema único de saúde e dos ministérios públicos estadual e federal.
Os documentos apontam diversas irregularidades: não existem médicos suficientes para o atendimento, assim como é reduzido o número de leitos.
Os técnicos descobriram que faltavam medicamento e equipamentos essenciais para o atendimento das grávidas. Um dos itens mais preocupantes foi a descoberta da demora no atendimento médico às grávidas, fato que já era conhecido por causas das reclamações das famílias.
De acordo com o promotor de Justiça Glaucio Oshiro, quando a grávida chega para ter o filho ela deve passar por uma avaliação. Dependo do caso, recebe uma classificação de risco que determina o tempo que deve ser atendida pelo médico.
“Só que muitas vezes as complicações podem vir nesse espaço de tempo e a maternidade não fazia esse monitoramento, e a mulher o filho, terminavam com complicações sérias ou até a morte”, explicou.
Os ministérios públicos fizeram uma série de recomendações e deram prazos para que a direção da maternidade melhore ou mude os procedimentos. O primeiro é mudar completamente o atendimento na classificação de risco. Não podem faltar medicamentos e equipamentos.
Os procuradores e promotores exigiram o funcionamento da comissão de óbitos que vai investigar todos os casos de mortes na maternidade.
Os ministérios públicos não investigaram as mortes dos bebes, apenas a estrutura da maternidade. O Estado foi intimado a melhorar os hospitais do interior do estado. Fora o município de Sena Madureira, as unidades do Alto e Baixo Acre não estão disponibilizando os leitos obstétricos. “Com isso todos os trabalhos de parto são enviados para Rio Branco o que sobrecarrega a Maternidade Barbara Heliodora”, explicou Oshiro.
A gerente da maternidade Giza Lopes informou que 90% das recomendações já foram atendidas. Equipamentos e remédios foram comprados e os servidores passaram por reciclagem.
No relatório constam os nomes das vitimas e aponta que algumas mortes de bebês eram evitáveis. Na época, a direção da maternidade sempre afirmava que os procedimentos eram corretos.
A investigação apontou que os erros começavam na chegada da grávida a maternidade. A demora na classificação de risco levou dor e tristeza a muitas famílias.


