“Queimar é crime”, lembra coordenador da Defesa Civil
Os coordenadores da defesa civil estadual e municipal e a diretora técnica do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre reuniram a imprensa para pedir apoio. Mostraram mapas da situação atual dos focos de queimadas no Estado, as previsões meteorológicas e os índices.
Para ilustrar, foi traçado um comparativo entre os anos de 2005 e 2016. Em 2005, cerca 300 mil hectares de floresta foram consumidos pelo fogo e até então, o ano com maior seca da história, onde o Rio Acre atingiu a marca de 1.5 metros. Naquela época, foram registrados 1031 focos de calor.
Em 2016, o Rio Acre já superou a cota histórica, chegando a 1,43 metro. O número de focos de calor também atingiu patamares assustadores: foram 6267, mais de 500% em relação a 2005.
O Coronel Carlos Batista enfatizou que o momento é crítico e que tende a piorar se a população não abraçar a causa da redução das queimadas. “Mesmo toda força tarefa organizada pelo Corpo de Bombeiros com participação do Exército, a gente não está dando conta de combater todos esses incêndios e a gente vem solicitar a ajuda da população para que evite queimadas. Queimar é crime”, lembrou o Coronel.
De acordo com a meteorologia, não há previsão de chuvas e com a vegetação ainda mais seca, o risco de fogo aumenta. O alerta máximo de estiagem se estende a praticamente todos os rios do Estado.
“Na medida em que as condições tornam-se mais críticas, aumenta o risco do fogo e qualquer fogo ateado tende a se espalhar e é um risco muito grande pra floresta, para a sociedade e para a economia local”, disse a diretora técnica do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, Vera Reis.
Diante de um cenário tão crítico, o Corpo de Bombeiros quer que os responsáveis por promover as queimadas respondam criminalmente. Com esse objetivo, acionou os órgãos ambientais para enrijecer a fiscalização e o setor de inteligência da Polícia Civil para identificar os culpados.
“Estamos com os órgãos de fiscalização deslocando para áreas mais críticas do estado para fiscalizar, multar e prender caso encontremos alguém cometendo incêndio florestal”, disse o coronel Batista.
Somente em Rio Branco, no primeiro semestre do ano, foram quase duas mil solicitações de atendimento dos Bombeiros para incêndios em áreas de vegetação. O número é três vezes maior que o registrado em 2015, quando foram atendidas 610 chamadas.


