Ilimani lembra trajetória do goleiro Weverton
O novo convocado para a seleção olímpica de futebol vai ganhar a torcida de todo um estado. O goleiro Weverton, do Atlético Paranaense, se apresentou na manhã dessa segunda-feira à CBF. Acriano de Rio Branco, Weverton pode ser o titular da Seleção Brasileira, substituindo Fernando Prass, que foi cortado.
Durante a entrevista coletiva realizada hoje (1) na sede da CBF, ele lembrou o início da carreira no Acre. Muitos não sabem, mas, o atleta, que conseguiu subir no futebol com a ajuda das mãos, começou como atacante. “Eu comecei no ataque, até que um olheiro do Juventus me viu pegar no gol e eu decidi mudar de posição, onde, na verdade, eu me dei bem”, declarou.
A história do início da carreira de Weverton é contada por Ilimani Soares, o treinador que o lançou. Na época, Ilimani comandava o Juventus, quando recebeu Weverton no time. “Ele chegou com muita vontade, não faltava aos treinos e, naquela época, já falava em jogar num grande time”, disse.
No Juventus, Weverton participou da Copa São Paulo de Futebol Júnior e, logo em seguida, foi contratado pelo Corinthians. Mas, nem chegou a jogar no Timão. A revelação veio mesmo na Portuguesa, depois foi par ao Atlético Paraense onde está até hoje.
Durante a coletiva na manhã dessa segunda-feira, foi questionado pelos jornalistas sobre a dificuldade em sair do Acre para o cenário nacional, imagina a seleção brasileira. “De onde eu vim, na região Norte, as coisas são mais difíceis. Lá, a gente precisa subir mais, provar mais do que os atletas que estão no Centro Sul.
Mas, isso já é passado. Superei. O que vale agora é viver esse novo momento”, relatou.
As dificuldades da infância são contadas pelos familiares. A maior parte dos tios e primos de Weverton mora na rua Blumenau, no bairro Bahia Velha, uma das áreas mais pobres da cidade.
O tio José de Jesus, que é militar, disse que muitas vezes emprestou a bicicleta para Weverton treinar e foi até um beco na rua para mostrar onde ficava sua antiga casa. A primeira moradia do goleiro da seleção olímpica é um casebre de madeira no fundo de um quintal.
Weverton deu a velha casa de presente para a tia Maria Antônia, que mostrou onde era o quarto do garoto que viveu no bairro por 15 anos. “Hoje, eu sou só agradecimento. Ele me deu essa casa. Eu estava precisando. Estamos sempre torcendo por ele”, agradeceu.
O primo de Weverton, o Daniel Pereira lembra as peladas nas ruas e nos campinhos do bairro e o sonho do garoto pobre de treinar e ser reconhecido nacionalmente. “A gente vivia correndo nessa rua, brincando pelos campos. Até que ele foi treinar no Juventus e depois foi jogar fora do Estado. Nunca imaginei que ele chegasse onde está”, declarou.
Outro primo de Weverton, que joga futebol é menos conhecido, o zagueiro do Atlético Acriano, Diego, vive um bom momento no campeonato da série D e foi o campeão acriano desse ano, no entanto está longe do estrelato do primo.
Para os tios, o que fez Weverton vencer foi a persistência. E essa convocação é só o início para mais uma etapa vitoriosa do goleiro e dos acrianos, que, agora, vão ter um motivo a mais para acompanhar a seleção olímpica de futebol.


