Impacto nem no preço e nem no pasto
A medida do Governo do Estado de redução da pauta da carne para melhorar o fluxo de comércio com Rondônia e Amazonas não teve o efeito desejado no Acre. Nos açougues locais, já era esperada a falta de impacto uma vez que a medida restringe-se na relação entre produtores e comércio externo.
Os pecuaristas contam que os produtores de Rondônia também estão com os mesmos problemas daqui: excesso de boi no pasto e verão forte. “A redução do ICMS que o governo fez agora foi boa, mas deveria ter sido feita há pelos menos quatro meses porque nós teríamos um mercado comprador de boi em Rondônia nessa época. Hoje, Rondônia está entupida de boi”, pontuou o pecuarista Dirceu Zamora.
O número mais tímido expõe que entre 20 a 30 mil bois estão prontos para o abate no Acre. Com a intensidade do verão aumentando, a tendência é que os custos de produção aumentem. Por isso, a necessidade de escoar a produção.
O produtor de carne do Acre não está tendo para quem vender. A situação fica mais grave quando a escala nos frigoríficos está girando em torno de 20 a 30 dias. Isso quer dizer o tempo que o produtor levar do abate até o recebimento pela carne comercializada. É muito tempo.
Pecuaristas como Dirceu Zamora têm estrutura para se preparar para períodos de seca. O pasto recebe investimentos milimetricamente calculados, o que aumenta a capacidade de suporte. Mas, a maior parte dos produtores do Acre está longe da rotina dos Zamora.
Agenda de ministro acaba expondo cenário de crise interna
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, realizou nesta semana uma agenda para tentar efetivar comércio de carne in natura com os Estados Unidos.
De acordo com a agência de notícias Estadão Conteúdo, a missão comercial liderada por Maggi deve resultar em um acordo sanitário que já vinha sendo negociado em governos anteriores.
Viabilizar o comércio com o mercado norte-americano daria vazão aos estados que produzem carne em grande escala, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul. O Acre não entra nesse seleto grupo, mas acaba sentindo os impactos porque frigoríficos de Rondônia aumentariam naturalmente a demanda pela carne acriana, o que não ocorre no momento.


