Uso do cartão pelos “flanelinhas” agiliza serviço
A Zona Azul, o estacionamento rotativo criado nas ruas centrais de Rio Branco, funciona há quase dois anos e ainda gera polêmica. Desta vez, após a aprovação da Lei do Troco: a concessionária fica obrigada a ter dinheiro e moedas para devolver ao cliente que estiver com cédula maior.
Muita gente já está cobrando o troco antes da lei ser regulamentada. Nossa reportagem também mostra o papel dos “flanelinhas” nessa história. Em silêncio, eles estão até ajudando a empresa, oferecendo uma espécie de terceirização da Zona Azul.
A empresa Sertel, concessionária do Estacionamento Rotativo de Rio Branco, se prepara para oferecer o troco aos motoristas que precisam de moedas de R$ 50 centavos ou R$ 1 para acomodar os carros nas vagas disponíveis.
A lei que garante o troco ao usuário da Zona Azul foi sancionada pelo prefeito recentemente, mas ainda precisa ser regulamentada. Contudo, muitos motoristas já estão cobrando das monitoras, as novas regras, e isso tem gerado conflito nas ruas.
Segundo o gerente da Sertel, Henrique Borges, a empresa não é contra a nova lei, mas afirma que ainda é preciso discutir com a RB Trans como será implementada. Falta por exemplo, saber, qual será o valor máximo em cédula, que poderá ser recebida pela empresa.
“A lei do troco é importante e queremos melhorar o serviço, porém não foi determinado o valor máximo, nem mínimo do troco que devemos disponibilizar. Estamos esperando a RB Trans que vai através de uma comissão implantar a lei”, disse.
A Sertel justifica que apenas 10% dos usuários utilizam dinheiro em espécie, junto às monitoras, para fazer a compra do horário do estacionamento. 70% usam o parquímetro e 20% utilizam ou o cartão de recarga da Zona Azul, ou o aplicativo de celular, que faz débito no cartão de crédito do motorista.
Outro ponto que, segundo a empresa, precisa ser levado em conta é a segurança das monitoras, que a partir da implementação da lei, vão ficar expostas, com dinheiro nas pochetes.
Para os motoristas, a falta de moedas é a maior dificuldade encontrada na hora de parar. “Eu não tinha R$ 1 e só tinha uma nota de R$ 2. Fiquei enrolado agora há pouco”, disse o motorista Luiz Carlos.
Quando a Zona Azul surgiu, todos pensavam que os “flanelinhas” iriam reduzir ou até desaparecer, mas não foi isso que aconteceu. Na realidade, eles se adaptaram ao novo sistema justamente na deficiência do troco.
Agora, eles oferecem cartão de crédito de estacionamento para atender aos motoristas desprevenidos. Porém, além de pagar pelo estacionamento, o flanelinha cobra taxa extra pelo uso do cartão.
Mailson Queiroz explica que a estratégia tem dado certo e ajuda muito quem tem pressa e não tem tempo de ir atrás do troco. “Usam bastante e a gente recebe uma gorja. Eles chegam ‘às carreiras’ e pedem pra gente resolver e, às vezes, pedem pra lavar o carro. E, assim, ‘a gente vai’”, disse.
Em meio à polêmica do troco e o papel dos “flanelinhas”, Queiróz faz uma crítica ao poder público, justificando que a categoria teve que se reinventar, já que promessas não foram cumpridas. “Eu acho que eles quiseram que a gente voltasse pro crime. Não deram emprego, curso que prometeram, até agora nada”, relembra.


