Família alega que houve demora no atendimento
O agricultor Francimar Silva de Jesus, 32, esperava pela chegada de Iana Ferreira de Jesus, aquela que seria a primeira filha. Mas, o sonho de ter nos braços o primeiro filho, hoje se tornou pesadelo.
A família mora no município de Capixaba e estava em Rio Branco há duas semanas, a espera da pequena Iana. De acordo com Antonia Pereira Chaves, irmã de Francimar que acompanhava a esposa dele, Elica da Silva Ferreira, 22, a jovem teria sido levada a Maternidade Bárbara Heliodora ainda na segunda-feira (16) sentindo muitas dores, mas o médico que a atendeu disse que não havia nenhum problema e que ela retornasse para casa.
“Ela fez a ultrassom, fez outros exames, e quando a gente apresentou pro médico ele falou que não era paciente dele e mandou ela pra casa dizendo que estava tudo bem”.
Já nesta quinta-feira (19), Elica foi novamente levada à Maternidade Bárbara Heliodora com muita dor de cabeça. De acordo com a família da jovem, ela teria chegado ao local por volta das 20h e só fez a cesárea por volta das 22h. A criança nasceu ainda com vida mas, minutos depois, morreu.
“Eu acho isso uma falta de responsabilidade porque as ultrassons todas pediam que o parto fosse no dia 17, ela veio um dia antes e mandaram ela ir embora. Eles disseram que ela só ia ganhar no fim do mês ou início de junho. Aí ela retornou depois, demoraram a tirar a criança e ela não resistiu. Minha primeira filha, infelizmente…”, revoltou-se Francimar, aos prantos.
O advogado da família, Neutel Soares, que acompanha de perto o caso, disse que vai entrar com ação para que seja apurado se houve negligência médica. “A gente vem acompanhando essas situações na maternidade e jamais espera que uma pessoa próxima a gente passe por essa situação. Mas, vamos tomar providência, entrar com uma representação no Ministério Público, vamos fazer um boletim de ocorrência, para que sejam tomadas providências”.
A declaração de óbito do bebê atesta que a criança faleceu às 22h35min, por hemorragia pulmonar, hipertensão pulmonar, aspiração neonatal de mecônio e hipertensão materna gestacional.
Ainda muito abalado com a situação, Francimar exige que medidas sejam tomadas para que casos como esse não venham a acontecer novamente. “O que eu tenho a desejar é que isso não aconteça com outra família. A gente está esperando um fruto de felicidade e acaba numa tristeza dessa. É muito difícil”.
Reposta da Direção
A Diretora do Sasmc (Sistema Assistencial da Saúde da Mulher e da Criança), Rossana de Oliveira, disse que haverá abertura de sindicância e processo administrativo para apurar o caso.
“Todos os casos que ocorrem de óbito que é suspeito de negligência, quando se acredita que possa ter ocorrido algo irregular, é apurado. Todos os óbitos têm a causa morte, seja por conta de patologias da mãe ou do bebê. Nesse caso, vamos ter acesso aos prontuários, a toda documentação, boletins emergenciais, tudo será apurado. Todos os profissionais que atenderam essa paciente serão ouvidos”.


