Investigação detalha modo de atuação do bando na região
O Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público vai entregar à Justiça o inquérito em que pede a condenação de 165 membros da facção criminosa conhecida como Bonde dos 13.
Durante entrevista coletiva concedida na manhã dessa quarta-feira, os promotores apresentaram a foto de 13 homens que fazem parte do “conselho” ou “líderes” do grupo criminoso.
Apenas um dos 13 chefes está foragido. Os outros estão no presídio Francisco de Oliveira Conde ou em prisões federais fora do Acre. O acusado foragido é Marcos da Cunha Lindozo, que, na verdade, foi resgatado pelo bando há duas semanas quando participava de um evento fora do presídio. Ele fazia exposição de artesanato, quando os “colegas” renderam o agente e o levaram.
A facção surgiu em 12 de junho de 2013, porque alguns presos não aceitavam ordens de outras facções como o Comando Vermelho. O grupo atualmente está em todos os bairros de Rio Branco. A cada dia aumenta o ingresso de jovens ao grupo, que cobra mensalidade de seus “sócios”.
Quem está preso paga R$ 50; nas ruas R$ 100 e dono de ponto de revenda de droga paga até R$ 1,5 mil. Quem não paga ou não segue as ordens é morto.
A Capital viu nos últimos meses crescer o número de execuções. Para os promotores do Ministério Público Estadual, a facção criminosa está por trás de boa parte desses crimes. O que aumentou, também, foram os furtos às residências.
“Muitos jovens, para conseguir entrar na facção, precisam cometer crimes e provar que são corajosos”, disse o delgado Getúlio Monteiro, que trabalhou nas investigações.
Todas as informações sobre o bonde dos 13 estão em relatórios produzidos pelo Gaeco. Dos 165 membros denunciados 21 são conselheiros, 38 representantes de bairros e 106 integrantes. Quase todos estão presos por crimes por tráfico de drogas e homicídios.
O Gaeco informou que a organização criminosa vem sendo monitorada e as prisões e condenações desses membros mostram que o estado não vai desistir de buscar o controle das ruas e reduzir a ação do grupo que é extremamente violento em suas ações.
As investigações e as prisões dos membros se intensificaram em outubro do ano passado quando o grupo fez vários ataques a ônibus e até residências. Na época a policia transferiu os líderes do bonde para presídios de outros estados, o que reduziu os atos violentos da facção.


