“Como ter tratamento adequado nessas condições?”
Em cinco anos, em todo país, 24 mil leitos de internação foram desativados nos hospitais que integram o sistema SUS. No Acre, de 2010 a 2015, a redução foi de 163 leitos. Desses, 92 eram nos centros cirúrgicos, 25 obstétricos, 11 clínicos e 22 pediátricos e 16 divididos em várias especialidades.
Os dados apresentados pelo Conselho Federal de Medicina mostram a situação caótica por que passam os hospitais. O presidente do Conselho Regional de Medicina do Acre, Virgílio Prado, disse que essa situação não é nova.
A população do Estado aumentou, milhares de pessoas saíram dos planos de saúde privados e migraram para o SUS e as vagas nos hospitais reduziram: o que mostra o caminho inverso seguido pelo poder público.
“Por isso, é tão comum nos corredores dos hospitais o acúmulo de macas com pacientes agonizando, e o crescimento das taxas de mortalidade. Os médicos não conseguem fazer o diagnóstico e o tratamento completos”, acrescentou Prado.
Entre as capitais da região Norte, Rio Branco só não perdeu para Manaus em se tratando de índices negativos. Foram menos 84 leitos, enquanto Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Macapá (AP) foi aumentada a quantidade de leitos de internação.
A secretaria estadual de Saúde informou, através da assessoria, que vai confirmar os números e só depois vai falar sobre o assunto. Mas, segundo o médico Guilherme Pulici, não precisa de tanta burocracia para ver a realidade. Bastava conversar com os profissionais da área e um olhar mais atento aos hospitais.
Guilherme, que é vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Acre, disse que a categoria vinha alertando sobre esse problema e como o sistema deixa de tratar os pacientes com a falta de estrutura.
“Como uma pessoa vai ter um tratamento adequado se chega num hospital e não tem direito à internação? A pessoa fica jogada numa maca, nos corredores esperando surgir uma vaga”, relatou.


