Assessor direto de secretário fazia parte de esquema
Dois diretores da secretaria de Estado de Habitação foram presos na manhã dessa terça-feira, acusados de negociar casas do programa do Governo Federal “Minha Casa Minha Vida”. Daniel Gomes, diretor executivo da Sehab, e Marcos Henrique Hulk, coordenador social da secretaria, alteravam dados dos interessados e negociavam as unidades do conjunto residencial Rui Lino III. Uma casa era vendida por até R$ 35 mil.
Duas mulheres que faziam as vendas das casas também foram presas. Uma delas, Cícera Dantas da Silva, era uma das mais importantes figuras do grupo. Ela organizava as vendas. A outra acusada, era a comerciante Rossandra Mara Melo de Lima.
A polícia conseguiu chegar ao grupo através de denúncias de pessoas que pagaram pelas casas e não receberam.
As mais de 200 unidades construídas no conjunto Rui Lino III foram construídas para serem entregues às famílias de áreas de risco dos bairros Cadeia Velha e Baixada do Habitasa.
Para conseguir passar a documentação pela Caixa Econômica, os endereços eram alterados, assim como os rendimentos da pessoa interessada na negociata, já que a renda não podia passar de R$ 3.275,00. Até uma engenheira foi identificada como beneficiada pela quadrilha.
Além das vendas, as casas eram direcionadas para amigos, parentes e até amantes dos membros da quadrilha.
Ao todo, a polícia conseguiu identificar 40 casas que foram vendidas e outras 60 unidades direcionadas para pessoas que nãos e enquadravam nas regras do programa. Ao todo o grupo criminoso pode ter movimentado R$ 1 milhão.
Segundo secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias, as pessoas que compraram as casas ou que foram direcionadas de forma ilegal já foram identificadas e vão responder por corrupção passiva e podem perder o dinheiro e a casa.
“Temos que fazer Justiça, entregar as casas para quem realmente precisa. Esse é o papel do Estado e é o caminho que o inquérito quer seguir”, ressaltou.
Além de Cícera e Rossandra, outras três mulheres também faziam as negociações das casas: Maria Auxiliadora, Cleuda Maia e a assistente social Gessiane Silva que está colaborando com a polícia. A justiça não autorizou a prisão do trio.
A polícia fez a apreensão de cinco carros e uma moto que foram comprados com o lucro das vendas das casas. Os investigadores estão de olho em outros conjuntos habitacionais onde existem vários indícios de que outras quadrilhas estejam atuando.
O secretário de Habitação, Jamil Asfury, disse que ficou surpreso ao saber que o homem de sua confiança estava envolvido no crime. “Infelizmente as coisas aconteceram dessa forma, mas temos que punir as irregularidades. Inclusive chegamos a ajudar nas investigações”, relatou.


