A pedagógica chegada de Luiz Henrique
Rafaela Monteiro (26) e Maykel Bianchini (29) planejaram nos mínimos detalhes a chegada do primeiro filho. Mas aos oito meses de gestação, o bebê não quis esperar.
Rafaela conta que assim que o filho nasceu, percebeu uma troca de olhares estranha entre a equipe médica. A mãe relata emocionada, que recebeu da forma mais traumática possível, a notícia de que o filho tão desejado tinha síndrome de Down.
“Não tive o primeiro contato com ele. O Luiz foi levado para a UTI e eu fiquei a noite toda no quarto pensando, querendo ver ele. Chegaram e logo disseram que tinha suspeita de Síndrome de Down e foi um choque. Eu não entendia, falava que não. Queria quebrar o quarto, me culpava muito”, relata a mãe chorando.
Rafaela e Maykel, não tem parentesco e ela é jovem, tem apenas 26 anos de idade. Muitas dúvidas surgiram quanto a causa da Síndrome, e um exame feito a pedido de uma médica geneticista comprovou o diagnóstico poucas semanas após o nascimento.
Após o período nebuloso, composto inclusive por comentários preconceituosos, foi o próprio Luis Henrique, que começou a trazer luz não somente para os pais, como também pra toda parentela.
Uma das experiências mais tocantes foi registrada através do celular de Rafaela. Enquanto a mãe cantava uma música de Roberto Carlos, a criança se emocionou.
Para a mãe, o filho reagiu a um momento de emoção dela. “Comecei a cantar Como é grande o meu amor por você e passou um filme de tudo que aconteceu e comecei a me emocionar. Quando olhei ele estava com os olhos cheios de lágrima, fazendo biquinho de choro”, explica.
Os pais tentaram cantar a mesma música e outros repertórios para ver se Luiz reagiria daquela forma novamente, mas não adiantou. Aquele instante, foi literalmente único entre mãe e filho.
Desde que o Luiz nasceu, Rafaela posta nas redes sociais o dia a dia da criança. É uma forma que ela encontrou de compartilhar com outras outras mães que tem filhos com síndrome de down, a evolução do menino. Esta semana, Rafaela criou um canal no youtube, e o tema foi justamente a fase mais difícil, a da aceitação.
“Essa fase é muito dolorida. É um momento que você acha que é o fim do mundo, que não vai conseguir. Mas o bebê precisa da mãe. Ele depende dela. A gente precisa passar por essa fase da dor, da culpa, é um grande aprendizado”, afirma.
Luiz tem cardiopatia. Em média, 40% das pessoas com síndrome de Down tem anormalidade na estrutura do coração. Além dos cuidados a esse respeito, os pais não descuidam da fisioterapia e dos estímulos que podem ser feitos em casa, brincando.
O casal planeja outro ou outros filhos, o número de mais 1 ou mais 2 ainda não foi acordado, mas estão certos de que Luis terá amor de sobra pra compartilhar. “Eu acordo cedo, às vezes ele já está acordado e manda beijo, quando chego a noite, fica me procurando, é muito emocionante”, explica o pai.
Ambos compreendem que a chegada de Luis teve um propósito divino. As lições nesses 8 meses de vida, do pequeno já mostraram que é preciso superar preconceitos e amar sem reservas. “Ele tem um cromossomo a mais, que é o cromossomo do amor”, disse Rafaela.


