Trata Brasil faz avaliação do saneamento em todo país
Segundo estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil, metade da população brasileira não conta com coleta de esgoto. Os dados são relativos ao ano de 2014 e mostram que mais de 35 milhões de pessoas ainda não recebem água tratada.
O levantamento coloca Rio Branco entre as 20 cidades com melhor situação de acesso à água potável, com cobertura total de 50,21%. Contudo, a capital do Acre está entre as 10 cidades com a pior condição na coleta de esgoto. Apenas 21,23% da população é atendida. O levantamento é baseado nas cem maiores cidades do país.
Duas cidades do Pará não têm nenhum tipo de atendimento do gênero e são Ananiundeua e Santarém. A capital Belém também aparece no ranking com coleta de esgoto precária. Além dessas, está Juazeiro do Norte, no Ceará, Teresina no Piauí, Manaus no Amazonas, Jaboatão dos Guararapes em Pernambuco, Macapá, no Amapá e Porto Velho em Rondônia.
De acordo com Anderson Mariano, diretor técnico do Depasa, em 2015 foram investidos em Rio Branco, através do Programa Ruas do Povo, cerca de R$ 70 milhões em saneamento básico.
De acordo com ele o tratamento de esgoto na capital ultrapassa 50% de cobertura, por que o instituto Trata Brasil só aborda o sistema de tratamento convencional.
“Em Rio Branco usamos soluções alternativas , além das estações convencionais. Temos soluções localizadas em conjuntos habitacionais, com estações de tratamento que tratam o esgoto daquela população”, explica.
Por conta de problemas de infraestrutura que envolvem a rede de saneamento, seu Francisco Galdino relata que quando chove no bairro Esperança, a situação é de calamidade. Sem ter onde escoar, a água da chuva se junta aos dejetos do esgoto que transbordam e avançam para as residências. “O esgoto entope e sobe água nos vizinhos todos”, relata.
Segundo o instituto Trata Brasil, os avanços em saneamento básico no país ainda estão muito lentos e em locais onde foram aplicados recursos em infraestrutura, a melhora é visível. Enquanto isso, quem mora em regiões periféricas de Rio Branco, onde quase sempre o vizinho é o esgoto, a preocupação maior é em cuidar da própria saúde.
A infectologista Cirley Lobato explica que a ausência de saneamento básico significa uma série de riscos à saúde humana. “Existem várias doenças que são relacionadas com bom ou mal saneamento básico. Vai desde a transmissão oral, e temos a Hepatite A, febre tifoide, cólera, diarreia. Em relação a contato direto com água de esgoto, a leptospirose, por exemplo”, explica.


