Foram acusados pela polícia, mas notas eram verdadeiras
Homens presos por supostamente repassar notas falsas em casa noturna falam após polícia federal concluir que o dinheiro é verdadeiro.
Três dos cinco homens que foram presos no dia 10 de janeiro, em uma casa noturna de Rio Branco falaram pela primeira vez. Eles foram acusados por uma funcionária do estabelecimento, de repassar notas falsas.
A Polícia Civil manteve o grupo detido na Delegacia de Flagrantes por aproximadamente 8 horas, e o caso foi repassado para a Polícia Federal. Na época, o delegado da PF não manteve a prisão, mas o dinheiro foi apreendido.
Nesta quinta-feira, o laudo da perícia concluiu que as notas, cerca de R$ 3 mil apreendidos com os cinco homens, são verdadeiras.
O mecânico Odair Freitas afirma que nesse período sofreu “linchamento moral”. Até familiares suspeitaram dele. “Minha vida mudou completamente depois disso. Ouço gozações de amigos que dizem pra eu fazer dinheiro falso pra eles. A minha mãe passou três dias sem falar comigo. Minha avó de 70 anos “vi” a hora de ter um infarto. Porque minha criação não foi desse jeito”, disse.
Odair entrou na casa noturna com o amigo Josimar. Ele afirma que não conhece os outros envolvidos nas acusações. O grupo foi apontado pela funcionária da casa noturna, e a polícia revistou um a um.
“Me algemaram e me jogaram no camburão. Fui até a delegacia com a cabeça batendo”, relata Odair.
Para o agente penitenciário Josimar Oliveira as consequências foram ainda piores. A profissão ligada à Segurança Pública foi acentuada na divulgação do caso. Ele afirma que ter sido algemado e acusado injustamente lhe causaram danos irreparáveis. “Pessoal com preconceito no meu trabalho e agora vamos procurar Justiça”, afirma.
Welington Ferreira está desempregado. Ele acredita que a repercussão do caso pode prejudicá-lo a conseguir um novo trabalho. “Deixei currículo em vários cantos, acabou meu seguro desemprego, minha cara tá queimada na cidade”, explica.
A assessoria jurídica da Associação dos Agentes Penitenciários vai ingressar na Justiça com processo contra vários veículos de comunicação que não deram o direito dos envolvidos falarem e ainda contra a casa noturna e o Estado.
Os outros lados
Por telefone, o proprietário da casa noturna Inbox, Neto Brito afirmou que não foi nenhum funcionário do estabelecimento quem fez a denúncia de notas falsas. Disse ainda, que a o local recebe, frequentemente, dinheiro falso, porém, não tem como saber exatamente quem passou as notas, a não ser que o indivíduo seja flagrado.
Ele finalizou dizendo que só se deu conta do problema, quando a Polícia Civil e o Bope chegaram ao local.
A Secretaria de Polícia Civil, por meio de nota, também se pronunciou sobre o caso, dizendo que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado para acompanhar o atendimento de uma ocorrência envolvendo supostas cédulas falsas.
Os funcionários do estabelecimento informaram que o mecanismo utilizado para uma checagem preliminar de cédulas, sinalizou não se tratar de moeda original. A nota diz ainda que a Polícia Civil não se omitiu em atender um suposto crime, cumpriu sua obrigação legal, encaminhando imediatamente a ocorrência para Polícia Federal.


